São Francisco (EUA) – Um encontro reservado realizado em dezembro, em uma casa na árvore ao norte de São Francisco, transformou-se em dor de cabeça política para o governador da Califórnia, Gavin Newsom. Durante a confraternização organizada pelo investidor de criptomoedas Chris Larsen, o cofundador do Google, Sergey Brin, informou pessoalmente a Newsom que deixaria o estado por causa da proposta de taxação sobre grandes fortunas.
Segundo reportagem da Bloomberg, o diálogo foi tenso. Brin citou diretamente o “Billionaire Tax Act”, que prevê cobrança única de 5% sobre patrimônios superiores a US$ 1 bilhão. Com fortuna estimada em US$ 289 bilhões, o executivo seria um dos principais atingidos. Após a reunião, Newsom teria atribuído a uma “gripe persistente” o mal-estar que sentiu por meses.
Nesta semana, o sindicato Service Employees International Union-United Healthcare Workers West (SEIU-UHW) informou ter recolhido mais de 1,55 milhão de assinaturas – quase o dobro das 875 mil exigidas – para incluir a medida na cédula eleitoral de novembro. Se aprovada, a taxa alcançará qualquer pessoa que seja residente da Califórnia em 1º de janeiro de 2026.
Para se proteger de eventual cobrança retroativa, Brin adquiriu imóveis em Nevada e na Flórida. Ele já destinou pelo menos US$ 45 milhões ao grupo “Building A Better California” e, no total, desembolsou US$ 58 milhões em 2024 para tentar barrar a iniciativa.
Em declaração ao The New York Times, Brin afirmou ter fugido do socialismo com a família em 1979 e disse não querer que a Califórnia “termine no mesmo lugar”.
Imagem: Kristen Altus FOXBusiness via foxbusiness.com
Gavin Newsom também se posiciona contra a proposta. O governador alerta que o novo imposto poderá prejudicar a economia estadual e afastar investimentos, lembrando que estimativas apontam saída de mais de US$ 1 trilhão em capital desde janeiro.
A medida segue em debate e deverá ser decidida pelos eleitores californianos no pleito de novembro.