
Três desenvolvedores da Alloc Init apresentaram na quinta-feira, 24 de setembro de 2026, o Shielded Bitcoin, uma proposta de protocolo para aumentar a privacidade das transações de Bitcoin. Segundo os autores, a solução poderia ser implementada sem mudanças no código do Bitcoin, diferentemente de propostas como Covenants e Confidential TX.
Os desenvolvedores consideram que a transparência das operações representa um problema tanto para investidores individuais quanto para empresas. O protocolo busca ocultar valores, remetentes e destinatários por meio de notas criptografadas, mas os próprios autores reconhecem limites: a entrada e a saída do sistema continuariam visíveis.
O projeto é descrito no documento técnico de 56 páginas Shielded Bitcoin: Private Transfers on the Bitcoin L1. Sua arquitetura foi inspirada no Zcash (ZEC), mas, de acordo com os desenvolvedores, há uma diferença importante: o Shielded Bitcoin não introduz uma cadeia de consenso própria.
No modelo proposto, o valor movimentado é convertido em notas criptografadas. Cada nota reúne o montante, a chave do destinatário e um valor aleatório. Embora essas notas fiquem públicas na rede, seu conteúdo não pode ser lido por participantes externos, preservando os dados da transferência, inclusive o troco.
Essa proteção, porém, não abrange todas as etapas. As operações de entrada, chamadas de peg-in, e de saída, conhecidas como peg-out, permanecem visíveis. Os autores alertam que valores e horários dessas operações podem permitir associações com atividades posteriores, além de existirem outros métodos de associação. Também reconhecem que as transações propostas são mais pesadas do que as transações comuns de Bitcoin.
Para demonstrar o percurso dos recursos, os desenvolvedores usam um exemplo com dois participantes, Alice e Bob:
A validação dessas movimentações usaria provas de conhecimento zero, ou ZK Proof. Na descrição dos autores, esse recurso permite comprovar a validade da operação sem expor quais notas estão sendo utilizadas nem os valores que elas contêm.
A transferência seria registrada como dados comuns de uma transação de Bitcoin, contendo as notas criptografadas, uma prova compacta e um número de série exclusivo para cada nota gasta. Esse identificador, chamado de nullifier, serve para impedir que a mesma nota seja utilizada duas vezes.
A prova compacta demonstraria simultaneamente que as notas existem, que quem as movimenta tem autorização para gastá-las e que os valores enviados correspondem aos recebidos. Essas verificações ocorreriam sem revelar as notas envolvidas ou seus montantes.
Programas chamados indexadores acompanhariam a rede Bitcoin em busca dessas transferências. Para cada operação, verificariam a prova e se os números de série já foram utilizados. Quando tudo estivesse correto, acrescentariam as novas notas a uma lista e marcariam os identificadores como usados. Como cada número de série só poderia aparecer uma vez, uma nota não poderia ser gasta novamente.
Segundo os desenvolvedores, nenhum indexador teria autoridade especial nesse processo: qualquer pessoa poderia repetir as mesmas verificações usando o histórico publicado.
A apresentação do projeto no X, antigo Twitter, ultrapassou 1 milhão de visualizações e alcançou a marca de 1,2 milhão, embora o perfil da Alloc Init, @allocinitxyz, tivesse menos de 3 mil seguidores.
Nos comentários, parte dos usuários demonstrou otimismo e avaliou que a proposta poderia permitir ao Bitcoin competir com criptomoedas desenvolvidas desde o início para oferecer privacidade.
Outros participantes discordaram, afirmando que moedas voltadas à privacidade continuariam dominando esse segmento e que o projeto não deveria competir com as soluções de Zcash e Monero (XMR). No período de 12 meses informado em 25 de setembro de 2026, essas criptomoedas acumulavam valorizações de 204% e 29%, respectivamente.
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