Os fundos voltados a empresas de menor capitalização não acompanharam o rali que impulsiona a Bolsa desde o fim de 2023. Até 14 de abril, o Índice Small Caps (SMLL) avançava 10% no ano, contra 22% do Ibovespa. No mesmo período, carteiras ativas de Ibovespa somavam ganho de 20,6%, enquanto os fundos de small caps registravam 9,13%.
Segundo Evandro Buccini, diretor de Crédito da Rio Bravo Investimentos, os ETFs e fundos que replicam o Ibovespa foram beneficiados pelo ingresso de capital externo, concentrado em ações de Petrobras (PETR4), Vale (VALE3) e Itaú Unibanco (ITUB4). As companhias menores, mais expostas à volatilidade provocada pela guerra no Leste Europeu, ficaram de fora desse movimento.
Buccini avalia que uma melhora no cenário geopolítico e o período eleitoral podem alterar o foco do mercado, reduzindo o peso das estatais e abrindo espaço para a valorização das small caps. Marcelo Boragini, sócio da Davos Investimentos, concorda que um ciclo contínuo – ainda que gradual – de queda de juros e menor percepção de risco doméstico tende a favorecer as empresas menores. Contudo, ele destaca que “há muita água para rolar” até o fim do processo eleitoral.
Para Gustavo Assis, da Asset Bank, o desconto nos preços abre oportunidade desde que o investidor priorize companhias com balanços sólidos, geração consistente de caixa e combine a posição com ativos mais previsíveis, como crédito estruturado e FIDCs.
Fabiano Cintra, estrategista da XP, ressalta que a escolha não deve se basear apenas em papéis que ainda não subiram, mas em fundamentos como alavancagem, governança e dinâmica do setor. Especialistas aconselham a pessoa física a optar por fundos de gestão ativa e carteira diversificada, com horizonte mínimo de dois a três anos.
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André Matos, CEO da MA7 Negócios, lembra que a dispersão de resultados entre gestores de small caps é elevada, o que torna a seleção do fundo tão decisiva quanto a decisão de entrar na classe. Ele frisa que quem procura apenas preço baixo precisa compreender o risco assumido.
Entre os cuidados listados, Marocke, da Faz Capital, destaca que o atual patamar de juros penaliza de forma desproporcional as empresas de menor porte, que enfrentam custo de crédito mais alto e estrutura de capital frágil. Para ele, parte das incertezas já está refletida nos preços, mas o risco permanece vivo e deve ser considerado antes do investimento.
Boragini resume a postura recomendada: paciência com a volatilidade, análise da consistência do gestor em diferentes ciclos e atenção à liquidez do fundo, sobretudo em momentos de estresse.