SpaceX pede registro de IPO na Nasdaq e mira valor recorde de até US$ 1,75 trilhão

Ricardo AlmeidaRicardo AlmeidaMercado Financeiro15 horas atrás10 Visualizações

A SpaceX, empresa de Elon Musk voltada a lançamentos espaciais e internet via satélite, encaminhou pedido de oferta pública inicial (IPO) à Nasdaq para listar ações Classe A sob o código SPCX. Se a avaliação sugerida pelo mercado — até US$ 1,75 trilhão — se confirmar, o IPO será o maior já registrado.

Por que este pedido chama tanta atenção

  • Tamanho do mercado: o prospecto menciona um mercado endereçável (TAM) de US$ 28,5 trilhões, apontado como “o maior da história da humanidade”.
  • Comparação de escala: o Produto Interno Bruto dos Estados Unidos, previsto para 2026, é estimado em cerca de US$ 32 trilhões.
  • Peso no índice: uma estreia nesse patamar colocaria a SpaceX entre as companhias abertas mais valiosas do planeta, logo atrás das big techs já consolidadas.

Números do primeiro trimestre de 2026

  • Receita total: US$ 4,694 bilhões
  • Prejuízo operacional: US$ 1,943 bilhão
  • Despesas de capital: US$ 10,1 bilhões

Detalhe por segmento:

  • Espacial (lançamentos de foguetes): receita de US$ 619 mi, prejuízo de US$ 662 mi, capex de US$ 1,052 bi
  • Conectividade (Starlink): receita de US$ 3,257 bi, lucro operacional de US$ 1,188 bi, capex de US$ 1,332 bi
  • Inteligência Artificial (Grok e X): receita de US$ 818 mi, prejuízo de US$ 2,469 bi, capex de US$ 7,723 bi

O que sustenta a expectativa de valor

  • Starlink já é lucrativa: o serviço de banda larga via satélite responde pela maior parte da receita e apresenta margem positiva.
  • Tecnologia de foguetes reutilizáveis: reduziu custos de lançamento e pressionou concorrentes a correr atrás do mesmo modelo.
  • Planos de expansão: incluem data centers em órbita, missões à Lua e, no longo prazo, projetos para Marte — fatores que mexem com a percepção de crescimento de longo prazo.

Riscos destacados no prospecto

  • Prejuízo atual: a companhia ainda queima caixa devido ao alto investimento em pesquisa, satélites e IA.
  • Dependência de capital intensivo: projetos espaciais exigem desembolsos elevados e constantes.
  • Estrutura de controle: Musk manterá maioria dos votos, classificando a empresa como controlled company; isso reduz certas exigências de governança.
  • Concorrência crescente: Blue Origin, entre outros players, acelera programas para recuperar participação no mercado de lançamentos e satélites.

Impacto para o mercado de capitais

A oferta reforça o retorno de grandes aberturas de capital nos Estados Unidos depois de um período de morosidade causado por juros mais altos e inflação global. A Nasdaq volta a atrair empresas de tecnologia de porte gigantesco, e o apetite de investidores por crescimento de longo prazo ganha fôlego.

E para o investidor brasileiro?

  • Possível BDR no futuro: se a ação ganhar liquidez lá fora, corretoras podem trazer recibos para a B3, ampliando o cardápio de quem diversifica internacionalmente.
  • Câmbio pesa: a cotação do dólar influência diretamente o retorno em reais, fator que deve ser monitorado por quem pensa em exposição global.
  • Ciclo de juros local: Selic em queda tende a aumentar a atratividade de ativos de maior risco, mas o movimento não elimina o caráter especulativo de investimentos em companhias sem lucratividade consolidada.

O cronograma exato da estreia ainda depende da aprovação regulatória e das condições de mercado. Enquanto isso, a SpaceX prepara mais um voo de teste da nave Starship, peça central de seus planos de colonização interplanetária e expansão da constelação Starlink.

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