Imóveis de entrada nos EUA dão sinais de alívio, mas renda necessária quase dobrou

Camila RochaCamila RochaDificuldades e desafios6 minutos atrás13 Visualizações

O primeiro imóvel voltou a ficar um pouco menos distante para o comprador norte-americano, mas ainda custa caro quando se olha para a renda necessária. Levantamento da plataforma Realtor.com mostra que o preço médio de uma casa de entrada (starter home) chegou a US$ 344 mil em 2024, ante US$ 256 mil em 2019. Apesar da alta acumulada, houve recuo de 4,2% desde 2022, graças principalmente ao aumento de oferta provocado por novas construções.

Financiamento ficou bem mais pesado

O obstáculo continua sendo o financiamento. Segundo a economista Hannah Jones, da Realtor.com, a renda anual mínima para obter crédito imobiliário subiu de US$ 43 mil antes da pandemia para US$ 78 mil hoje. Na prática, a parcela mensal de um empréstimo típico está 80% mais alta.

Para o leitor iniciante: nos Estados Unidos a grande maioria das compras residenciais é feita com hipotecas de prazo longo, geralmente 30 anos. Essas hipotecas seguem as curvas de juros americanas, que aumentaram depois de 2020. Por isso, mesmo com preços cedendo em alguns mercados, o custo efetivo da prestação continua elevado.

Oferta melhora, mas depende do estado

  • Sul: destaque positivo. Texas, Flórida e Carolinas lideram o lançamento de novos imóveis, somando 170 mil anúncios abaixo de US$ 350 mil. Preços recuaram 3,5% em relação ao pico.
  • Oeste: correção de 7,3%, puxada por Phoenix e Denver. A Costa da Califórnia ainda resiste a quedas mais fortes.
  • Meio-Oeste: região segue mais acessível, mas perdeu vantagem: valorização de 10% desde 2022.
  • Nordeste: pior quadro de acessibilidade. Preços subiram 12,6% e a fatia de anúncios abaixo de US$ 350 mil caiu de 48% para menos de 30%.

Perfil do comprador inaugural mudou

Com o aperto no crédito, o comprador médio de primeiro imóvel passou a ter 40 anos. Muitos jovens adiam a compra, dividem moradia com parentes ou unem renda com parceiros para atender às exigências bancárias. Segundo o estudo, apenas 35% das transações em maio envolveram compradores de primeira viagem; antes da pandemia, essa participação era de 45%.

Imóveis de entrada nos EUA dão sinais de alívio, mas renda necessária quase dobrou - Imagem do artigo original

Imagem: Eric Revell FOXBusiness

O que isso tem a ver com o investidor brasileiro?

Embora o tema seja o mercado residencial dos EUA, ele impacta diversos ativos acessíveis ao investidor local:

  • REITs americanos: fundos imobiliários listados em Nova York sofrem com juros altos, que encarecem financiamento e pressionam margens de incorporadoras.
  • Dólar: mudanças no mercado imobiliário podem afetar expectativas para a economia dos EUA e, indiretamente, a cotação da moeda, relevante para quem investe em BDRs ou fundos cambiais.
  • Juros globais: caso a inflação americana ceda e permita cortes futuros, hipotecas tendem a baratear, o que pode reaquecer o setor e mexer com ações de construção civil.

Por ora, o alívio nos preços ainda não compensa completamente o efeito dos juros elevados. A oferta maior no Sul indica onde a recuperação começou, mas o quadro geral continua desafiador para quem busca o primeiro imóvel nos Estados Unidos.

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