Taxas do Tesouro Direto caem após IPCA-15 abaixo das projeções e se aproximam da Selic

Mariana CostaMariana CostaRenda Fixa6 minutos atrás11 Visualizações

As taxas dos títulos do Tesouro Direto abriram a quinta-feira (25) em leve queda, prolongando o alívio iniciado na véspera após a divulgação do IPCA-15 de junho, que subiu 0,41% e ficou abaixo dos 0,44% estimados pelo mercado.

Prefixados encurtam distância para a Selic

O Tesouro Prefixado 2029 passou de 14,39% para 14,24% ao ano, queda de 15 pontos-base e quase no mesmo nível da taxa Selic, atualmente em 14,25%. Já o Prefixado 2032 recuou de 14,41% para 14,34%.

Quando a inflação surpreende para baixo, os investidores tendem a exigir um prêmio menor para carregar títulos prefixados, já que o rendimento real (descontada a inflação) pode se manter atrativo mesmo com juros nominais menores.

IPCA+: ajustes discretos

  • IPCA+ 2032: de IPCA + 8,38% para IPCA + 8,36%
  • IPCA+ 2040: de IPCA + 7,57% para IPCA + 7,56%
  • IPCA+ 2050: de IPCA + 7,19% para IPCA + 7,21%
  • IPCA+ 2060 (juros semestrais): de IPCA + 7,40% para IPCA + 7,41%

Os títulos atrelados ao IPCA reagiram menos porque sua remuneração já protege contra variações futuras de preços. Para o investidor, a queda limitada indica que a percepção de inflação de médio e longo prazos continua resiliente, apesar da leitura mensal mais fraca.

Por que o IPCA-15 importa

O IPCA-15 é considerado uma “prévia” da inflação oficial. Um número abaixo do esperado:

  • sinaliza menor pressão de preços imediata,
  • reduz apostas de alta adicional da Selic,
  • afeta o custo de captação do Tesouro, refletido nas taxas oferecidas aos investidores.

Neste mês, o recuo das cotações internacionais do petróleo — influenciado pelo acordo entre Estados Unidos e Irã — contribuiu para a surpresa positiva. Porém, analistas lembram que o processo de desinflação ainda é visto como lento e sujeito a riscos.

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Imagem: Reprodução | Trader Iniciante

Outros fatores no radar

Além do IPCA-15, o mercado digere:

  • Relatório de Política Monetária do Banco Central, que elevou a projeção de PIB e apontou preocupação com estímulos fiscais.
  • Dados dos Estados Unidos divulgados às 9h30: núcleo do PCE de maio, métrica de inflação preferida do Federal Reserve, em linha com as expectativas, e PIB do 1º trimestre revisado para cima. Ambos podem influenciar o câmbio e, indiretamente, a curva de juros local.

O que muda para o investidor iniciante

Mesmo com a queda desta quinta-feira, as taxas continuam historicamente elevadas. Há dois pontos de atenção:

  • Prefixados podem oferecer ganho extra se a inflação seguir arrefecendo e a Selic cair no futuro, mas carregam risco maior caso os preços voltem a acelerar.
  • IPCA+ preservam o poder de compra ao longo do tempo, porém oscilam mais no curto prazo quando as taxas de mercado variam.

No cenário atual, a trajetória da inflação — e a consequente resposta da política monetária brasileira e norte-americana — seguirá como principal catalisador dos movimentos nos títulos públicos.

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