Taxas do Tesouro Direto cedem após sinal de deflação nos EUA e oferta menor de NTN-B

Mariana CostaMariana CostaRenda Fixa2 dias atrás10 Visualizações

As taxas dos principais títulos do Tesouro Direto passaram de alta pela manhã para queda ao meio-dia desta terça-feira (14). O movimento seguiu a divulgação de uma inesperada deflação de 0,4% no índice de preços ao consumidor (CPI) dos Estados Unidos em junho, a primeira desde 2020.

Por que o dado americano mexe com o juro no Brasil?

Nos EUA, inflação menor tende a reduzir a necessidade de novas altas da taxa básica de juros, hoje entre 5% e 5,25% ao ano. Logo após o CPI, a chance de o Federal Reserve subir 0,25 ponto na reunião de 26-27 de julho caiu de 35% para 15%, segundo a Reuters. Juro americano mais baixo ou estável diminui a pressão sobre moedas emergentes e sobre a curva de juros local, favorecendo a queda das taxas dos títulos públicos brasileiros.

Como ficaram os rendimentos ao meio-dia

  • Tesouro Prefixado 2029: de 14,22% para 14,09% ao ano
  • Tesouro Prefixado 2032: de 14,45% para 14,38%
  • Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 2037: de 14,41% para 14,38%
  • Tesouro IPCA+ 2032: de IPCA + 8,12% para IPCA + 8,08%
  • Tesouro IPCA+ 2040: de IPCA + 7,53% para IPCA + 7,51%
  • Tesouro IPCA+ 2050: de IPCA + 7,24% para IPCA + 7,26% (pequena alta)

O recuo foi generalizado, ainda que moderado, indicando ajuste às expectativas de juros globais mais contidos.

Leilão enxuto de NTN-B reforça alívio

No mesmo dia, o Tesouro Nacional manteve a estratégia de colocar no mercado um lote mínimo de 50 mil NTN-B (títulos indexados ao IPCA) para cada vencimento 2029, 2033 e 2035, além de apenas 1.250 LFTs (Tesouro Selic). A oferta reduzida, totalmente absorvida, evitou pressão extra sobre os preços e contribuiu para a queda das taxas, segundo agentes de mercado.

Taxas do Tesouro Direto cedem após sinal de deflação nos EUA e oferta menor de NTN-B - Imagem do artigo original

Imagem: Reprodução | Trader Iniciante

O que o investidor iniciante precisa saber

  • Relação risco-retorno: taxas menores indicam valorização recente dos títulos. Quem já investe vê o preço subir; quem pretende aplicar encontrará juros ligeiramente menores.
  • Prefixados x IPCA+: nos prefixados, o investidor trava hoje um rendimento nominal. Já no IPCA+ o ganho real é composto pelo IPCA acumulado mais uma taxa fixa. A escolha depende do cenário de inflação e do prazo.
  • Curva de juros: a menor pressão por altas no Fed tende a alongar o alívio, mas o mercado seguirá monitorando dados de inflação tanto nos EUA quanto no Brasil, além das próximas decisões do Copom.

Próximos pontos de atenção

• Reunião do Fed em 26-27/07: novo indicador de rumo para os juros globais.
• IPCA de julho no Brasil: influência direta sobre os títulos atrelados à inflação.
• Leilões futuros do Tesouro: o tamanho da oferta pode manter ou não o atual alívio nas taxas.

Para o investidor, acompanhar a evolução desses fatores ajuda a entender a oscilação diária dos preços dos títulos públicos e a decidir o momento mais adequado de compra ou venda conforme o próprio objetivo financeiro.

Ferramentas úteis para investidores

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