Tensão EUA-Irã faz juros futuros avançarem; mercado ainda aposta em corte da Selic em agosto

Ricardo AlmeidaRicardo AlmeidaAções9 horas atrás12 Visualizações

A escalada das tensões geopolíticas entre Estados Unidos e Irã, após o anúncio do fim do cessar-fogo por Washington, mexeu com as principais curvas de juros ao redor do mundo nesta quarta-feira (8). No Brasil, os contratos de Depósito Interfinanceiro (DIs) subiram em todos os vencimentos, acompanhando o movimento dos títulos do Tesouro norte-americano (Treasuries) e a forte alta do petróleo.

O que aconteceu com a curva de juros

  • DI jan/27: passou de 14,015% para 14,055% (+4 pontos-base).
  • DI jan/29: saltou de 14,275% para 14,380% (+10 p.b.).
  • DI jan/36: avançou de 14,330% para 14,440% (+11 p.b.).

Quando se fala em “pontos-base”, cada ponto corresponde a 0,01 ponto percentual. Portanto, alta de 10 pontos-base significa aumento de 0,10 p.p. na taxa futura.

Por que os DIs reagiram

O petróleo tipo Brent subiu 5,20%, fechando a US$ 78,02 o barril, maior patamar desde 22 de junho. Matéria-prima mais cara encarece transportes, energia e derivados, pressionando a inflação global. Para compensar esse risco, investidores exigem juros mais altos nos títulos – movimento que também ocorre aqui.

Nos EUA, o rendimento do Treasury de 2 anos – termômetro da política monetária do Fed – subiu a 4,22% (de 4,162%). O título de 10 anos recuou levemente, mas permanece acima de 4,4%, nível ainda elevado para os padrões da última década.

Selic continua no radar

Apesar da pressão externa, as apostas para o próximo Comitê de Política Monetária (Copom) praticamente não mudaram. Segundo dados de opções negociadas na B3, o mercado precifica:

  • 78% de probabilidade de corte de 0,25 p.p. – Selic caindo de 14,25% para 14,00% ao ano.
  • 20,5% de chance de manutenção.

Ou seja, por ora, a percepção é de que o choque de petróleo não altera o plano do Banco Central brasileiro de iniciar um ciclo cauteloso de afrouxamento.

Impacto prático para o investidor

  • Renda fixa pós-fixada: altas pontuais dos DIs tendem a melhorar as taxas de CDBs, LCIs/L CAs e títulos ligados ao CDI no curto prazo.
  • Tesouro Direto: os preços dos títulos prefixados e atrelados à inflação (IPCA+) podem cair no dia do ajuste, elevando seus yields. Para quem já investe, oscilações marcam valor de mercado, mas o fluxo de juros contratados não muda se o papel for levado até o vencimento.
  • Bolsa: juros maiores encarecem o custo de capital das empresas, o que costuma pressionar ações sensíveis a financiamento, como varejo e construção. O Ibovespa já fechou em leve queda, refletindo esse receio.
  • Dólar: em dias de aversão a risco, a moeda americana costuma ganhar força. Hoje, porém, a divisa recuou a R$ 5,14, influenciada pela entrada de fluxo comercial ligado às exportações de commodities.

Fique de olho

  • Novos desdobramentos entre EUA e Irã, principalmente no Estreito de Ormuz, rota de cerca de 20% do petróleo global.
  • Relatórios de inflação aqui e lá fora, que podem recalibrar apostas para Fed e Copom.
  • Leilões do Tesouro Direto: volatilidade tende a se refletir nos preços oferecidos diariamente.

Para o investidor iniciante, o recado é simples: variações diárias nas curvas de juros fazem parte do jogo. Avalie objetivos e prazos antes de tomar decisões, mantendo atenção ao comportamento da Selic e à dinâmica global de commodities.

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