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A Comissão Europeia iniciou uma consulta pública que pode dar origem ao chamado “MiCA 2.0”, a próxima etapa do marco regulatório para criptoativos no bloco. O processo, aberto em maio e que termina em 31 de agosto, analisa quatro frentes principais: ampliação de definições, exigências para stablecoins, regras para provedores de serviços cripto (CASPs) e lacunas deixadas pela primeira versão — entre elas finanças descentralizadas (DeFi) e mercados de previsão.
A parte mais extensa da consulta trata das stablecoins, classificadas no MiCA como e-money tokens (EMTs) ou asset-referenced tokens (ARTs). Hoje, emissores de EMTs não podem pagar juros, o que, segundo representantes da indústria, reduz a atratividade de stablecoins denominadas em euro e empurra usuários para moedas pareadas a outras divisas ou para estruturas de rendimento fora do alcance dos reguladores.
Empresas do setor sugerem:
O desenho final dessas regras tende a definir se as stablecoins serão vistas como meros instrumentos de negociação ou como infraestrutura de pagamentos — distinção que influencia exigências de liquidez, transparência e reporte ao supervisor.
O MiCA 1.0 não cobre plataformas totalmente descentralizadas, mas o conceito de descentralização raramente é preto no branco. A consulta pede opiniões sobre critérios para classificar um protocolo, como:
Uma das hipóteses em análise é exigir que corretoras atuem como “porteiros”, só liberando acesso de clientes a protocolos DeFi certificados por um futuro regime de selo de conformidade.
Imagem: Reprodução | Trader Iniciante
A União Europeia também quer saber se plataformas de apostas em eventos — de eleições a dados macroeconômicos — oferecem benefício econômico suficiente para justificar um enquadramento sob o MiCA ou se devem seguir outras diretivas, como a MiFID II ou leis de jogos de azar. A decisão impactará a demanda de capital, limites operacionais e obrigações de relatório dessas plataformas.
Após o fim da consulta, a Comissão Europeia avaliará as contribuições. Especialistas estimam que propostas legislativas concretas não surjam antes de 2028, refletindo a complexidade do tema e o ritmo habitual do processo legislativo do bloco.
Para investidores iniciantes, o desfecho importa por dois motivos práticos:
A janela de contribuições segue aberta. Enquanto isso, empresas cripto na Europa buscam licenças sob o regime atual do MiCA, preparando-se para um ambiente regulatório que continuará em evolução nos próximos anos.
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