Casa onde Donald Trump passou a infância é vendida por quase US$ 2 milhões e expõe freio no mercado de luxo de Nova York

Camila RochaCamila RochaDificuldades e desafios8 horas atrás13 Visualizações

A residência onde Donald Trump morou até os quatro anos, no bairro Jamaica Estates, em Queens, encontrou um comprador depois de passar por uma reforma integral estimada em pouco mais de US$ 500 mil. O preço pedido mais recente ficou ligeiramente abaixo de US$ 2 milhões, valor próximo ao dobro do desembolsado pelo incorporador Tommy Lin quando adquiriu o imóvel em março de 2025 por US$ 835 mil.

Do telhado com infiltração à fachada Tudor restaurada

  • Construída em 1940 pelo pai do ex-presidente, Fred Trump, a casa de 3,4 mil pés quadrados (aprox. 316 m²) tem cinco quartos e manteve o estilo Tudor original.
  • As obras incluíram troca de telhado, janelas, instalação de isolamento completo e modernização do sistema de climatização (HVAC).
  • Uma parede interna foi removida para integrar cozinha e sala, tendência comum em reformas nos EUA para ampliar a área social.

A conta final ficou maior que a prevista pelos desenvolvedores, em parte por gastos extras com o novo sistema de ar-condicionado e paisagismo. Mesmo assim, o intervalo de 14 meses entre compra e colocação no mercado indica a estratégia de fix and flip — comprar, reformar e revender rapidamente.

O que a operação revela sobre o mercado de luxo em Nova York

Embora o endereço carregue valor histórico, a transação acontece num momento em que o segmento de alto padrão na cidade sofre desaceleração. Entre os motivos citados por especialistas estão:

  • Juros americanos em patamar elevado: hipotecas de 30 anos superam 7% ao ano, encarecendo o crédito imobiliário.
  • Tributos locais: o chamado pied-à-terre tax, voltado a residências usadas como segunda moradia, reduz o retorno de investidores estrangeiros e de alto patrimônio.
  • Êxodo de capital: empresas e famílias de alta renda migram para estados como Flórida e Texas, onde a carga fiscal é menor.

Para o investidor brasileiro que acompanha o mercado externo, o caso ilustra como fatores macroeconômicos — juros do Federal Reserve e políticas tributárias estaduais — podem afetar preços mesmo em regiões tradicionalmente valorizadas. O movimento se assemelha ao que se observa no Brasil, onde a alta da Selic também esfriou lançamentos de luxo em capitais.

Casa onde Donald Trump passou a infância é vendida por quase US$ 2 milhões e expõe freio no mercado de luxo de Nova York - Imagem do artigo original

Imagem: Eric Revell FOXBusiness

Impacto prático para quem investe em imóveis ou REITs

  • A valorização de quase 140% em pouco mais de um ano parece expressiva, mas precisa ser vista à luz do custo da obra e dos impostos incidentes na revenda.
  • Num ambiente de juros altos, a margem obtida pelo incorporador pode diminuir caso o imóvel fique mais tempo encalhado.
  • Para quem investe indiretamente por meio de REITs (fundos imobiliários dos EUA), o desaquecimento em Nova York pode ser compensado por crescimento em estados com menor tributação.

Apesar das turbulências, imóveis com apelo histórico — como a antiga casa da família Trump — continuam atraindo compradores dispostos a pagar prêmios. Ainda assim, a performance futura dependerá da trajetória dos juros americanos e da competitividade fiscal de Nova York em relação a outros polos econômicos.

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