
A ação da XP (XP) avançou 30% na segunda-feira, 5 de outubro de 2026, e chegou a US$ 28,15, ultrapassando o novo preço-alvo de US$ 27 definido pelo Itaú BBA para o fim de 2027. O banco havia elevado sua estimativa, antes de US$ 22, e mantido a recomendação de compra.
A alta ocorreu em meio ao chamado trade eleitoral, movimento associado ao “efeito Flávio”. Com isso, a cotação superou, em um único dia, o valor que o banco projetava para o fim de 2027, consumindo o potencial de valorização até esse alvo.
A avaliação do Itaú, porém, inclui diferentes hipóteses para lucros, receitas e preços da ação. Os percentuais de valorização e queda apresentados nessas simulações devem ser distinguidos da cotação de US$ 28,15 atingida na segunda-feira.
O alvo de US$ 27 combina uma estimativa de lucro de R$ 6 bilhões em 2027 com um múltiplo de 12,2 vezes o preço sobre o lucro projetado. Esse indicador, conhecido como P/L, relaciona o preço da ação ao lucro considerado na avaliação.
Além dessa projeção, o Itaú apresentou três cenários alternativos:
Na análise do banco, a XP é a empresa do mercado de capitais com maior potencial tanto para crescimento dos lucros quanto para expansão dos múltiplos — isto é, aumento da relação entre o preço da ação e o lucro usado na avaliação.
O Itaú aponta desconto em relação ao histórico da própria XP e também frente a concorrentes como BTG Pactual (BPAC11) e B3 (B3SA3). Na avaliação apresentada, o papel era negociado a 9,6 vezes o lucro estimado para os próximos 12 meses, aproximadamente 9% abaixo da média histórica recente.
Em uma simulação específica de expansão do múltiplo, a passagem para aproximadamente 13 vezes o P/L daria espaço para valorização de cerca de 34%. Esse patamar corresponde ao limite superior de um desvio-padrão acima da média histórica, a referência estatística utilizada pelo banco.
A tese do Itaú se apoia em três frentes: retomada da atividade dos investidores de varejo, melhora da monetização da renda fixa e alavancagem operacional.
No varejo, o banco observa que as pessoas físicas mantêm cerca de 15,2% de suas carteiras em ações, ante quase 30% em 2020. O volume negociado também está próximo da parte inferior da faixa histórica.
Para 2027, o cenário-base considera volume médio diário de negociação de ações de R$ 4,4 bilhões. As hipóteses de maior participação das ações e de maior rotatividade das carteiras produzem resultados diferentes:
Uma participação maior das ações nas carteiras reduziria o peso da renda fixa no total dos investimentos, segundo a avaliação do Itaú. A melhora da monetização desses produtos, por outro lado, poderia compensar esse efeito.
Essa possibilidade ganha relevância na hipótese de uma queda dos juros estimular a migração de aplicações com liquidez diária para títulos corporativos de prazo mais longo. Trata-se de uma condição considerada pelo banco, não de um movimento apresentado como certo.
O cenário-base do Itaú para 2027 prevê margem antes dos impostos de 30,7%. Se a receita superar a expectativa em 9% e houver melhora de 0,75 ponto percentual na eficiência, o lucro antes dos impostos poderia crescer mais de 11%.
Na leitura do banco, a XP tem espaço para aumentar os lucros e recuperar parte do múltiplo perdido nos últimos anos. O Itaú considera que a empresa está posicionada para capturar uma eventual retomada dos mercados e do apetite dos investidores de varejo.
Use as ferramentas gratuitas do Trader Iniciante para simular investimentos, acompanhar o Tesouro Direto e consultar resultados atualizados.






