A Minerva Foods encerrou 2025 com resultados históricos, impulsionada pela incorporação total das unidades adquiridas da Marfrig. O balanço divulgado nesta terça-feira (18) mostra lucro líquido de R$ 848 milhões no ano, revertendo o prejuízo de R$ 1,56 bilhão apurado em 2024.
No quarto trimestre, o ganho foi de R$ 85 milhões, ante perda de R$ 1,57 bilhão um ano antes. A receita líquida anual avançou 60,9 %, alcançando R$ 54,8 bilhões, enquanto o Ebitda somou R$ 4,8 bilhões, alta de 54 %.
Apesar do desempenho recorde, a companhia antecipa um cenário menos favorável no próximo ano. “Vemos 2026 com margens piores que 2025 por uma pressão de custo relevante e mais incertezas no mercado internacional”, afirmou o diretor financeiro e de relações com investidores, Edison Ticle.
Segundo o executivo, a elevação do preço do gado, típica do ciclo pecuário, será agravada pela alta dos combustíveis e dos fretes decorrente da guerra no Irã, que eleva a cotação do petróleo.
O conflito no Oriente Médio representa aproximadamente 7 % dos volumes e 6 % da receita de exportação da Minerva. Arábia Saudita, Israel e Líbano continuam recebendo produtos por rotas alternativas, mas o frete mais caro pressiona os custos em toda a cadeia, destacou Ticle.
China absorveu 27 % das vendas externas da empresa em 2025. Com a cota de 1,1 milhão de toneladas e tarifa de 12 % imposta pelo governo chinês, volumes excedentes terão imposto de 55 %. A estratégia da Minerva é utilizar plantas em outros países sul-americanos para manter embarques com encargos menores.
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Já os Estados Unidos responderam por 19 % das exportações no ano passado. O diretor-presidente, Fernando Galletti de Queiroz, vê espaço para ampliar a participação, aproveitando a recente ampliação da cota argentina, onde a companhia é a maior exportadora de carne bovina.
No Brasil, o consumo foi afetado pelos juros elevados, que comprimem a renda das famílias. No quarto trimestre de 2025, a receita líquida atingiu R$ 14,2 bilhões, crescimento anual de 32,6 %, e o Ebitda somou R$ 1,17 bilhão, avanço de 24 %.
Com aproximadamente 60 % do faturamento vindo do exterior, a Minerva reforça que o principal desafio para 2026 será proteger a rentabilidade diante da pressão de custos e da volatilidade nos mercados internacionais.