A Opep+ decidiu neste domingo (3) elevar em 188 mil barris por dia (bpd) a meta coletiva de produção para junho, mantendo a estratégia de ajustes graduais desde o fechamento do estreito de Hormuz, em fevereiro, devido ao conflito no Irã.
É o terceiro acréscimo mensal consecutivo e repete o volume autorizado para maio, mas sem a participação dos Emirados Árabes Unidos (EAU), que deixaram o grupo em 1º de maio.
Sete países definiram o novo teto: Arábia Saudita, Iraque, Kuwait, Argélia, Cazaquistão, Rússia e Omã. A Arábia Saudita, maior produtora do bloco, terá limite de 10,291 milhões de bpd em junho, muito acima da extração efetiva de 7,76 milhões de bpd informada à organização em março.
Com a saída dos EAU, a Opep+ passa a contar com 21 membros, incluindo o Irã, mas apenas esses sete países — além dos EAU quando ainda integravam o acordo — participam das definições mensais de oferta.
Analistas e fontes do cartel classificam o aumento como majoritariamente simbólico. O fechamento do principal corredor marítimo do Golfo continua a restringir as exportações de Arábia Saudita, Iraque e Kuwait. Mesmo que o tráfego seja retomado, o restabelecimento completo dos embarques deve levar semanas ou meses, segundo executivos do setor.
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A paralisação contribuiu para que o preço do barril superasse US$ 125, o maior nível em quatro anos. Projeções de mercado apontam risco de falta de querosene de aviação em até dois meses e possível pressão adicional sobre a inflação global.
Relatório da Opep indica que os 21 integrantes produziram, em média, 35,06 milhões de bpd em março — queda de 7,70 milhões em relação a fevereiro, com os maiores cortes concentrados em Iraque e Arábia Saudita.
Os sete membros voltarão a se reunir em 7 de junho para reavaliar as metas.