Ricardo Lacerda, sócio-fundador e presidente do banco de investimentos BR Partners, afirmou que a taxa básica de juros em torno de 15% ao ano coloca em risco a saúde financeira de companhias brasileiras e pode “explodir o país” se mantida por período prolongado.
O executivo citou, em entrevista ao programa Stock Pickers, empresas como Braskem (BRKM5), GPA (PCAR3), Ambipar (AMBP3), Oncoclínicas (ONCO3), Cosan (CSAN3) e Raízen (RAIZ4) — consideradas operacionalmente sólidas, mas pressionadas por dívidas corrigidas pela taxa Selic. Algumas já ingressaram em processos de recuperação judicial ou iniciaram negociações para reestruturar passivos.
Na quarta-feira (20), o Banco Central reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,75% ao ano. Mesmo assim, Lacerda avaliou que o ciclo de afrouxamento deve ser “tímido e curto”, pois, na sua visão, a autoridade monetária demorou a iniciar os cortes.
Apesar do juro elevado e de um cenário fiscal que classificou como “desordenado”, o CEO observa interesse crescente de investidores internacionais pelo Brasil a partir de 2025. Ele atribui o movimento a fatores como:
Segundo Lacerda, “menos de 0,5%” dos recursos administrados por fundos globais direcionados a small caps já entrou no país. Ele estima espaço para um fluxo expressivo, lembrando que fevereiro registrou o segundo maior volume diário de negociações da história da B3, com média de R$ 39,2 bilhões, mesmo com o feriado de Carnaval.
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Com o objetivo de capturar parte desse capital, o BR Partners realizou uma listagem técnica de suas ações na Nasdaq, sem oferta pública de papéis. A estratégia, de acordo com Lacerda, abriu portas para reuniões com fundos especializados em instituições financeiras de menor porte ao redor do mundo. Hoje, os dois maiores acionistas do banco são gestoras estrangeiras.
Matheus Guimarães, analista do setor financeiro da XP Research que participou do mesmo programa, relatou cerca de 20 encontros com investidores nos Estados Unidos recentemente. Ele afirmou que grandes fundos olham para ações brasileiras e operações de crédito estruturado, destacando que, nos últimos 12 a 24 meses, a volatilidade do real ficou abaixo da verificada em moedas do G7.
Para esses gestores, o prêmio de risco atualmente embutido nos ativos brasileiros já não condiz com o nível da inflação no país, concluiu Guimarães.