As cotas do fundo imobiliário CACR11 – Cartesia Recebíveis Imobiliários registraram forte desvalorização nesta segunda-feira (4) depois que a gestão informou que não haverá distribuição de dividendos referente a abril de 2026.
Por volta das 16h50, os papéis recuavam cerca de 42,40%, sendo negociados a R$ 47,01. É a primeira interrupção no pagamento de rendimentos em aproximadamente um ano.
Em comunicado, a gestora explicou que a retenção dos recursos é uma medida para preservar o caixa, diante de um ambiente macroeconômico e de crédito considerado mais desafiador para o setor de incorporação.
Mesmo tendo apurado R$ 1,24 por cota no regime de caixa, a administração optou por manter o valor no fundo a fim de garantir a continuidade das obras financiadas e proteger as garantias vinculadas às operações.
Desde o início de 2025, o CACR11 vinha distribuindo rendimentos mensais entre R$ 1,20 e R$ 1,45 por cota, segundo dados do relatório gerencial. A suspensão, portanto, rompe uma série de pagamentos recorrentes mantida ao longo de cerca de 12 meses.
O portfólio do fundo é formado majoritariamente por Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) ligados a empreendimentos em diferentes estágios de desenvolvimento, inclusive projetos ainda não lançados ou com vendas abaixo do previsto. Atualmente, o CACR11 está exposto a 38 CRIs relacionados a 10 empreendimentos.
Imagem: infomoney.com.br
Parte desses projetos ainda se encontra em fase inicial, com lançamentos programados apenas para os próximos meses, o que eleva a incerteza sobre a geração futura de caixa.
De acordo com a gestão, fatores como juros elevados, aumento dos custos de construção e maior endividamento das famílias têm pressionado as margens das incorporadoras, reduzido o ritmo de vendas e atrasado repasses, refletindo diretamente na decisão de reter os dividendos.
Não há previsão, por enquanto, de quando o fundo retomará a distribuição de rendimentos.