Brasília – O economista Fabio Giambiagi e o professor de direito Fábio Zambitte apresentaram proposta de criação de um Piso Salarial Mínimo (PSM) nacional para permitir reajustes reais aos trabalhadores da ativa sem transferir automaticamente esse aumento para aposentadorias, pensões e benefícios assistenciais vinculados ao salário mínimo.
Desde o lançamento do Plano Real, em 1994, o salário mínimo saltou de US$ 65 para cerca de US$ 310 e acumulou ganho real de 190% sobre o INPC. No mesmo período, a participação do mínimo na renda per capita subiu de 26% para 33% e a despesa com benefícios de um salário mínimo passou de 1,4% para previsão de 4,5% do PIB em 2026.
Com o rápido envelhecimento da população – o grupo com 65 anos ou mais deve crescer 3,1% ao ano entre 2025 e 2045 – e projeção de expansão econômica inferior a 2% ao ano, os autores calculam que a atual política de reajuste do mínimo acrescentará R$ 64 bilhões aos gastos do INSS e do BPC em 2026, recursos que deixam de financiar áreas como saúde, educação e infraestrutura.
Os artigos 201 e 203 da Constituição determinam que nenhum benefício previdenciário ou assistencial seja inferior ao salário mínimo, enquanto o artigo 7º garante reajustes periódicos que preservem seu poder de compra. Juristas costumam classificar essas garantias como cláusulas pétreas, o que torna incerta a aprovação de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para desvincular benefícios do mínimo.
A alternativa defendida por Giambiagi e Zambitte dispensa mudança constitucional. Segundo o modelo:
Imagem: redir.folha.com.br
Estados permaneceriam livres para adotar pisos próprios acima do PSM, mas, na falta de legislação local, vigoraria automaticamente o piso nacional.
Para os autores, a medida mantém a proteção constitucional ao poder de compra de aposentados e pensionistas, reduz a pressão fiscal sobre a Previdência e preserva espaço para políticas públicas. Ao mesmo tempo, permite que trabalhadores ativos participem dos ganhos de produtividade da economia.
Giambiagi e Zambitte argumentam que a solução é menos arriscada do que tentar aprovar uma PEC de desvinculação, cuja constitucionalidade poderia ser derrubada pelo Supremo Tribunal Federal.