Escalada no Oriente Médio encarece combustível e leva companhias aéreas a reduzir voos no Brasil

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Companhias aéreas brasileiras enfrentam pressão financeira após a alta do querosene de aviação (QAV) provocada pelo agravamento dos conflitos no Oriente Médio nos últimos meses. O aumento de custos levou as empresas a rever malhas e cancelar voos, com impacto mais forte previsto para a aviação regional.

Malha doméstica encolhe

Levantamento da Abear, associação que representa Gol, Azul e Latam, mostra queda de 3,3% no número de voos domésticos regulares programados para maio. Em 2 de abril de 2026, estavam previstos 2.193 voos diários; em 6 de maio, o total caiu para 2.121. No mês inteiro, isso significa 2.225 decolagens a menos em relação à projeção inicial.

Segundo Juliano Norman, presidente da Abear, o repasse integral do aumento do QAV às tarifas é limitado. “Há rotas que absorvem mais, outras menos. Chega um ponto em que fica inviável”, afirma. Ele avalia que as ligações regionais sentirão mais os cortes do que rotas de alta demanda, como a ponte aérea Rio–São Paulo.

Impacto nos resultados

No primeiro trimestre de 2026, a Latam registrou impacto de US$ 40 milhões (cerca de R$ 200 milhões) nos custos. A empresa elevou a estimativa para o preço do barril de petróleo de US$ 90 para US$ 170 no segundo e terceiro trimestres, e para US$ 150 no fim do ano. Com isso, a projeção de Ebitda para 2026 recuou de US$ 4,2 bilhões–US$ 4,6 bilhões para US$ 3,8 bilhões–US$ 4,2 bilhões.

Para junho de 2026, a companhia passou a prever crescimento de 8% na capacidade doméstica medida em ASK ante junho de 2025, redução de três pontos percentuais em relação ao plano original.

Questionado sobre eventual desabastecimento, o CEO Jerome Cardier declarou que a empresa monitora o cenário com fornecedores e, no momento, não vê risco de falta de QAV nos aeroportos onde opera.

Na Azul, o CEO John Rodgerson informou a investidores que o fluxo de caixa foi afetado pelo recuo no ATL (valor de passagens vendidas antes da viagem), consequência do conflito no Irã e da menor oferta de voos. Ele espera que o efeito seja pontual, até que a capacidade volte aos níveis habituais.

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Imagem: redir.folha.com.br

De capital fechado, a Gol não detalhou resultados, limitando-se a se manifestar por meio da Abear.

Análises do mercado

Para o analista Rafael Minotto, da Ciano Investimentos, a Gol tende a ser a mais afetada, por atuar sobretudo em rotas domésticas com forte concorrência. Ele avalia que a Azul se beneficia de rotas exclusivas e que a Latam possui maior poder de barganha por sua operação internacional.

O especialista em aviação civil Adalberto Febeliano ressalta, contudo, que o aumento do combustível pesa em todas as rotas, inclusive nas monopolizadas.

Fabricante sem reflexos imediatos

Na indústria, o CEO da Embraer, Francisco Gomes Neto, relatou não ter percebido queda na demanda por jatos comerciais ou executivos. A fabricante, segundo ele, reforçou controles de custo e eficiência para se preparar para eventuais impactos futuros.

A Abear afirma que, apesar da pressão de preços, não há previsão de escassez de QAV, pois a maior parte do combustível consumido no país é produzida internamente. O setor, porém, seguirá monitorando a evolução dos custos e ajustando a oferta de voos nos próximos meses.

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