O preço do barril de petróleo Brent para junho abriu as negociações na noite de domingo (22) a US$ 106, variação positiva de 0,1% em relação ao fechamento anterior, às 20h (horário de Brasília).
A valorização reflete a intensificação do conflito no Oriente Médio. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou “aniquilar instalações energéticas” no Irã caso Teerã não reabra o estreito de Hormuz, fundamental para o escoamento de petróleo da região.
Em 9 de março, o contrato de maio do Brent chegou a US$ 119,46, maior nível desde 29 de junho de 2022.
Neste domingo, o governo iraniano declarou que retaliará atingindo sistemas de energia e água de países vizinhos do Golfo se Washington cumprir a ameaça de atacar a rede elétrica iraniana.
De acordo com a Reuters, eventuais ações contra o fornecimento de eletricidade podem pressionar ainda mais os mercados globais nesta segunda-feira (23). Apesar de também afetar o Irã, o impacto tende a ser maior nas nações vizinhas, que consomem cerca de cinco vezes mais energia per capita.
Bahrein e Catar dependem da eletricidade, sobretudo, para usinas de dessalinização responsáveis por 100% da água consumida internamente. Instalações semelhantes respondem por mais de 80% da água potável nos Emirados Árabes Unidos e por 50% do abastecimento na Arábia Saudita.
Em nota, a Guarda Revolucionária iraniana afirmou que, caso o país seja bombardeado, o estreito de Hormuz permanecerá fechado até a reconstrução das hidrelétricas locais.
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O bloqueio parcial de Hormuz já provocou a pior crise do petróleo desde a década de 1970. Na semana passada, Israel atacou um importante campo de gás no Irã, e Teerã respondeu contra alvos na Arábia Saudita, no Catar e no Kuwait, elevando o risco de danos à produção regional mesmo com eventual retomada da navegação.
Os preços do gás natural na Europa subiram 35% na mesma semana. A Agência Internacional de Energia (AIE) recomendou redução imediata da demanda por petróleo, sugerindo trabalho remoto, menos voos, velocidade mais baixa nas estradas, uso compartilhado de veículos e adoção de fogões elétricos, medidas que ajudariam a enfrentar o que classifica como “maior interrupção de fornecimento da história do mercado de petróleo”.
Com o risco de agravamento do conflito, fontes ouvidas pela Bloomberg informaram que o presidente-executivo da Saudi Aramco, Amin Nasser, avalia cancelar sua participação em uma conferência de energia marcada para terça-feira (24) em Houston, nos Estados Unidos. O executivo estaria priorizando a gestão da crise no Oriente Médio, segundo os relatos.
Maior produtora de petróleo do mundo, a Aramco tem redirecionado carregamentos desde que o tráfego de petroleiros foi quase totalmente interrompido em Hormuz. Instalações da companhia também foram alvo de ataques aéreos iranianos. No início de março, Nasser advertiu que o impacto sobre os mercados globais será “catastrófico” caso a guerra se amplie.
Os investidores seguem atentos aos desdobramentos diplomáticos e militares que podem influenciar o fornecimento de energia nos próximos dias.