A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que apura descontos irregulares em benefícios do INSS não conseguiu encontrar a empresária e influenciadora Martha Graeff, ex-noiva do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Ela deveria depor na manhã desta segunda-feira (23).
Diante da ausência, os parlamentares planejam ouvir o presidente da Dataprev, Rodrigo Assumpção, ainda hoje.
Martha foi convocada em 12 de março a pedido do deputado Kim Kataguiri (Missão-SP). O parlamentar alega que a modelo intermediou contatos de Vorcaro com autoridades. Entre os elementos citados por Kataguiri estão mensagens apreendidas pela Polícia Federal nas quais o ex-banqueiro relata encontros com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e celebra ter discursado para ministros do STF e do Superior Tribunal de Justiça (STJ) em um evento patrocinado por ele em Londres.
Próximos ao casal afirmam que o relacionamento terminou em novembro do ano passado, logo após a primeira prisão de Vorcaro. Segundo essas pessoas, Martha não teria suportado a pressão decorrente do escândalo envolvendo o Banco Master.
A influenciadora também foi chamada para falar à CPI do Crime Organizado, no Senado, em sessão marcada para quarta-feira (23). A exemplo da CPMI do INSS, os senadores não conseguiram localizá-la, e o comparecimento é considerado pouco provável.
Imagem: redir.folha.com.br
O relatório final, de autoria do deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), está previsto para ser votado na quinta-feira (26). O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), rejeitou pedidos de prorrogação dos trabalhos. Parlamentares recorreram ao ministro André Mendonça, do STF, para obrigar a ampliação do prazo, mas não houve decisão.
Embora criada para investigar descontos ilegais em aposentadorias e pensões, a CPMI passou a focar o Banco Master após a operação que levou Vorcaro à cadeia. O empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, também entrou na mira da oposição por ligações com o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS.
No mês passado, uma sessão terminou em confusão depois que o presidente do colegiado, Carlos Viana (Podemos-MG), anunciou a quebra de sigilos bancário e fiscal de Lulinha sem respaldo no placar oficial. A medida foi posteriormente suspensa pelo ministro Flávio Dino, do STF.