Washington, 27 mar. 2026 – Pela primeira vez desde 2008, a parcela de trabalhadores norte-americanos que se considera “lutando” supera a que se descreve como “prosperando”, segundo dados divulgados nesta terça-feira (26) pela Gallup.
A empresa atualizou o Life Evaluation Index, que avalia a vida atual e a expectativa de futuro das pessoas em uma escala de 0 a 10. As respostas são classificadas em três categorias: “prosperando”, “lutando” ou “sofrendo”.
No quarto trimestre de 2025, apenas 46% dos trabalhadores disseram estar prosperando, ante 50% no mesmo período de 2024. Já o grupo que se declarou lutando passou de 46% para 49%. Outros 5% foram enquadrados como sofrendo.
Em 2022 e 2023, o índice de prosperidade girava entre 50% e 55%, refletindo uma recuperação após a turbulência econômica provocada pela COVID-19. Entre 2009 e 2019, a proporção de trabalhadores prosperando permaneceu estável entre 57% e 60%.
O patamar caiu para 55% em 2020, voltou a subir em 2021 e atingiu o pico recente de 55% no terceiro trimestre de 2022 — quando apenas 41% estavam lutando, diferença de 14 pontos. Desde então, contudo, a Gallup detecta queda contínua, sem dois trimestres consecutivos de melhora desde o início de 2024.
Imagem: Eric Revell FOXBusiness via foxbusiness.com
De acordo com a consultoria, funcionários que não prosperam faltam mais e tendem a procurar outro emprego. Trabalhadores classificados como prosperando faltam 53% menos dias por problemas de saúde e são 32% menos propensos a buscar ativamente uma nova colocação.
O relatório mostra ainda que todas as categorias sofreram piora, mas o recuo foi mais acentuado entre servidores federais. Em 2022, 60% desse grupo se considerava prosperando — seis pontos acima da média nacional. No fim de 2025, o índice despencou 12 pontos, para 48%, superando a queda de seis pontos observada entre os demais trabalhadores (48%) e entre servidores estaduais e municipais (50%).
A Gallup conclui que, enquanto a percepção de bem-estar seguir em queda, organizações poderão enfrentar maior absenteísmo e rotatividade, o que representa risco direto ao desempenho econômico.