Levantamentos de opinião divulgados recentemente apontam que entre 45% e 55% do eleitorado afirma que não votaria no presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2026, a depender da metodologia utilizada. Segundo integrantes do Palácio do Planalto, pacotes de medidas socioeconômicas implementados desde o ano passado ainda não se converteram em melhora perceptível nos índices de popularidade.
Pesquisas reservadas, de menor amostra e frequência maior, indicam que parte dos entrevistados associa o escândalo da empresa Master ao governo federal. Mais de 90% dos investigados e suspeitos ligados a Daniel Vorcaro, apontam esses levantamentos, são filiados a partidos do centrão e da direita que também integraram gestões anteriores, incluindo a de Jair Bolsonaro.
Até o momento, o aumento internacional do preço do petróleo não se refletiu de forma significativa na percepção popular, mostram consultas em redes sociais e institutos de opinião. Apesar disso, importadores alertam para o risco de desabastecimento de diesel caso a atual política de subsídios não seja revista.
O governo oferece hoje R$ 0,32 por litro em subsídio federal direto e, em parceria com os estados, mais R$ 1,20 por litro. Empresas do setor afirmam que o incentivo não cobre integralmente o custo de importação, o que poderia limitar a oferta. Não há dados públicos que permitam mensurar de forma independente a chance de escassez.
Auxiliares do presidente avaliam que o modelo pode funcionar por até dois meses, desde que o preço internacional dos combustíveis permaneça estável. O Planalto teme, contudo, a repercussão política de uma eventual falta de diesel ou de uma decisão que leve a Petrobras a importar combustível caro para vender com prejuízo no mercado interno.
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Outra aposta do governo, a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda, ainda não aparece de forma expressiva nas pesquisas de opinião. A expectativa é de que a medida possa vir a sensibilizar parte da classe média, segmento que historicamente apresenta maior resistência a Lula e ao PT.
Integrantes do núcleo político do Planalto voltaram a criticar o Banco Central, atribuindo aos juros elevados o aumento do peso do serviço da dívida no orçamento das famílias. Dados da autoridade monetária mostram crescimento da parcela destinada a juros e amortizações, mas especialistas consultados pelo governo apontam que a variação entre 2023 e 2024 não foi suficiente para explicar sozinha a queda de popularidade do presidente.
A inflação de alimentos, que fechou dezembro de 2024 acima de 8% em 12 meses, recuou para perto de 0% no início de 2026. Ainda assim, pesquisas indicam que parte da população atribui a melhora apenas ao retorno a um patamar considerado normal, sem reconhecer ganhos concretos. Um terço do eleitorado mantém posição declarada de não votar em Lula em hipótese alguma.