Os robôs conversacionais Grok, da norte-americana xAI, e DeepSeek, da companhia chinesa homônima, conseguem reproduzir integralmente textos protegidos por paywall de grandes veículos de imprensa do país. Testes realizados pela Folha de S.Paulo comprovaram que ambos acessam e exibem o conteúdo destinado exclusivamente a assinantes após poucos comandos.
Foram avaliados sete chatbots: Grok, DeepSeek, ChatGPT, Claude, Gemini, MetaAI e Perplexity. Os experimentos envolveram artigos de opinião e reportagens dos colunistas Tati Bernardi e Álvaro Costa e Silva (Folha), Lauro Jardim e Malu Gaspar (O Globo) e Eliane Cantanhêde e Carlos Andreazza (O Estado de S. Paulo). Todos os textos estavam confirmadamente restritos a assinantes.
Resultados:
Questionado, o Grok afirmou utilizar “ferramentas de busca e extração em tempo real” para combinar snippets, caches públicos e republicações em blogs ou redes sociais, reconstruindo o texto protegido. O modelo ressaltou ter sido programado para fornecer reproduções literais, ao contrário de concorrentes que impõem restrições.
O DeepSeek declarou capturar o código-fonte das páginas sem passar por navegadores que executem barreiras de assinatura. Segundo o bot, a requisição se assemelha à de um mecanismo de busca, não a de um leitor comum.
Imagem: redir.folha.com.br
A duplicação de conteúdo exclusivo viola a Lei de Direitos Autorais brasileira. Procuradas por e-mail, nem a xAI nem a DeepSeek responderam.
O episódio reforça o embate global entre empresas de inteligência artificial e veículos jornalísticos. Nos Estados Unidos, o The New York Times processa a OpenAI pelo uso não autorizado de textos. No Brasil, a Folha ingressou com ação semelhante em agosto do ano passado.
Para Marcelo Rech, presidente-executivo da Associação Nacional de Jornais (ANJ), o uso não autorizado de reportagens “é a maior ameaça estrutural e existencial ao jornalismo”. Ele defende soluções globais que contemplem organizações de todos os portes e regiões.