CEO da Novo Nordisk vê mercado de remédios para emagrecimento em fase inicial e prepara cortes de preços

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Copenhague – O presidente-executivo da Novo Nordisk, Mike Doustdar, afirmou que a indústria farmacêutica “está apenas arranhando a superfície” do potencial dos medicamentos para perda de peso e defendeu maior ampliação de acesso aos tratamentos.

Em entrevista ao Financial Times, Doustdar lembrou que, somente nos Estados Unidos, cerca de 110 milhões de pessoas vivem com obesidade. Segundo ele, a Novo Nordisk, a rival Eli Lilly e as farmácias de manipulação que produzem versões semelhantes alcançam hoje “não mais que 10% a 15%” desse público.

Nova fase após troca de comando

Doustdar assumiu o comando da companhia dinamarquesa em agosto do ano passado, com a missão de recuperar terreno perdido para a Lilly — fabricante do Mounjaro — e reverter resultados clínicos considerados fracos. A aposta para retomar participação inclui o lançamento, ainda em 2026, da versão em comprimido do Wegovy, enquanto a Lilly acaba de obter aprovação nos EUA para seu comprimido Foundayo.

Cortes de preços nos EUA

Para ampliar o acesso, a Novo Nordisk concordou em reduzir preços de seus medicamentos no site de prescrições TrumpRx, iniciativa que também conta com adesão da Lilly e de outras grandes farmacêuticas. Além disso, a companhia anunciou reduções significativas nos valores de atacado a partir de janeiro: queda de 50% para o Wegovy e de 35% para o Ozempic, indicado para diabetes.

Pressão de genéricos

A substância semaglutida, princípio ativo de Ozempic e Wegovy, perdeu recentemente a proteção de patente em Brasil, Canadá, Índia e China, permitindo a entrada de produtos sem marca. Na Índia, ao menos dez laboratórios já colocaram genéricos no mercado.

Emil Larsen, vice-presidente executivo de operações internacionais, declarou que a empresa pode recorrer a mais cortes de preços para permanecer competitiva em mercados sensíveis a custo, como o indiano. No ano passado, a Novo Nordisk já baixou em até 37% o preço do Wegovy no país, vendendo a dose de 2,4 mg por cerca de US$ 187 por mês, contra aproximadamente US$ 250 no Reino Unido.

Parcerias regionais

Para enfrentar a concorrência, a farmacêutica fechou acordos de licenciamento. No Brasil, a Eurofarma produzirá o Wegovy sob a marca Poviztra para obesidade e o Extensior para diabetes. Na Índia, o Poviztra será lançado com a Emcure Pharma, enquanto o Extensior terá parceria com a Abbott. Ambos os grupos possuem ampla rede de distribuição no país.

Mercado ainda incipiente

Larsen avalia que o principal obstáculo não é a competição de genéricos, mas o tamanho reduzido do mercado em muitos países. “Há mais pacientes sendo tratados na Dinamarca do que na Índia, o país mais populoso do mundo”, ressaltou. Para ele, a confiança em marcas consolidadas e a garantia de qualidade serão decisivas para expandir o uso dos medicamentos.

Com esse conjunto de medidas — lançamentos, reduções de preços e alianças locais — a Novo Nordisk espera aumentar a penetração de seus tratamentos e capturar parte relevante de um mercado global considerado ainda em estágio inicial.

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