Scott Kirby, presidente-executivo da United Airlines, apresentou ao então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a ideia de unir a companhia à American Airlines, informaram fontes a par das conversas às agências Reuters e Bloomberg.
Segundo essas pessoas, o encontro ocorreu em 25 de fevereiro e não há indícios de que a United tenha formalizado proposta à rival nem iniciado tratativas oficiais. A American e a United recusaram comentários, e a Casa Branca não se manifestou.
A combinação criaria a maior empresa de aviação global em capacidade de assentos por quilômetro voado, superando com folga a Delta Air Lines, hoje terceira colocada. Dados da consultoria OAG mostram que United e American já ocupam as duas primeiras posições nesse ranking.
A conversa com Trump ocorreu três dias antes do início do conflito no Irã, que elevou os preços do combustível de aviação e pressionou o setor a repassar custos via tarifas e cobrança de bagagem.
O tema surgiu ao final de um encontro agendado na Casa Branca para discutir o futuro do aeroporto Washington Dulles, na região metropolitana da capital norte-americana.
Kirby argumentou que a fusão fortaleceria a concorrência nas rotas internacionais. O executivo tem ligação pessoal com a American: foi presidente da companhia até deixar o cargo, em 2016, após perceber que não seria nomeado CEO. No mesmo ano, ingressou na United, onde chegou à presidência-executiva.
No mês passado, em memorando interno, ele afirmou que a United lucraria em eventual consolidação do setor decorrente da alta do petróleo. Em 24 de março, à Bloomberg Television, disse que a empresa estaria “pronta para adquirir ativos” caso surgissem oportunidades.
Especialistas ouvidos pela Reuters avaliam que a aprovação de uma união entre as duas gigantes enfrenta forte resistência de sindicatos, concorrentes, consumidores, parlamentares e aeroportos.
Uma fonte próxima ao governo relatou ceticismo na Casa Branca, preocupado com possível redução da concorrência e alta de tarifas em ano de eleições de meio de mandato.
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Até agora, em 2026, as ações da United acumulam queda de 15%, enquanto a American recua 27%. Após a divulgação dos rumores, os papéis da American subiram até 11% no after-market; os da United avançaram 1,3%.
American, Delta, United e Southwest controlam cerca de 17% cada do tráfego doméstico dos EUA, de acordo com o Departamento de Transportes (DOT). Qualquer fusão precisa ser avaliada pelo DOT e pelo Departamento de Justiça (DoJ).
O secretário de Transportes, Sean Duffy, declarou em 7 de abril à CNBC que o governo analisaria efeitos sobre concorrência e preços, afirmando, porém, que “há espaço para algumas fusões” e que, em caso de aprovação, as empresas teriam de abrir mão de parte dos ativos.
A American é a menor das quatro grandes em valor de mercado, avaliada em US$ 7 bilhões, frente a US$ 31 bilhões da United, US$ 19 bilhões da Southwest e US$ 44 bilhões da Delta. A companhia também carrega cerca de US$ 25 bilhões em dívida de longo prazo, superando as rivais.
O mercado aéreo norte-americano foi moldado por fusões como Delta-Northwest, United-Continental e American-US Airways. Tentativas recentes enfrentaram obstáculos antitruste: a união operacional entre JetBlue e American foi anulada por decisão judicial, e a proposta da JetBlue para comprar a Spirit Airlines foi barrada.
Até o momento, não há sinal de avanço formal sobre a possível integração entre United e American.