Aperto nos bancos impulsiona busca do agronegócio por Fiagros e FIDCs

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O aumento da inadimplência no agronegócio levou Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal — principais financiadores do setor — a reduzir a concessão de crédito em 2024. Com menos espaço nas instituições financeiras, empresas rurais têm recorrido ao mercado de capitais, favorecendo a emissão e a captação de Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagros) e de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) ligados ao campo.

Garantias mais robustas elevam confiança

José Daronco, responsável por Relações com Investidores da Suno Asset, lembra que o pico da crise de crédito ocorreu no fim de 2024, quando companhias como AgroGalaxy e a cooperativa Languiru pediram recuperação judicial. Desde então, vários Fiagros reforçaram estruturas de garantia — com alienação fiduciária de terras e cessão de recebíveis — e conseguiram recuperar parte relevante dos valores aplicados, o que se refletiu na valorização de cotas no mercado secundário.

“O mercado de Fiagros está muito bom, embora existam exceções entre gestores com maior apetite a risco”, afirma Daronco. Segundo ele, bancos têm endurecido critérios e direcionado recursos para grandes companhias de menor risco, enquanto produtores médios e pequenos enfrentam spreads mais altos — lacuna que Fiagros e FIDCs passaram a preencher.

Spreads maiores, dividendos potenciais mais altos

Com a retração bancária, a demanda por capital supera a oferta, pressionando os spreads pagos pelas empresas em operações estruturadas. Na visão de gestores, esse cenário tende a aumentar os dividendos distribuídos pelos fundos, embora exija análise mais criteriosa dos riscos, sobretudo após a alta dos custos de diesel e fertilizantes motivada pela guerra no Irã.

Participação dos bancos ainda domina, mas perde espaço

Estima-se que os bancos respondam por 75% a 85% do financiamento ao agronegócio. Mesmo assim, a procura por FIDCs cresceu nos últimos meses. Leandro Andrade, CEO da Orram Investimentos — gestora de cerca de R$ 1 bilhão em FIDCs do agro — estuda novas emissões para clientes com faturamento entre R$ 1 bilhão e R$ 10 bilhões. “O crédito bancário está mais restrito após os casos de recuperação judicial e o aumento da inadimplência”, afirma.

Gestores reforçam seleção e governança

Para Edgar Araújo, CEO da Azumi Investimentos, o avanço da inadimplência reorganiza o mercado ao elevar o nível de exigência das estruturas. “Fiagros de papel concentrados em Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) ligados a produtores mais alavancados são os mais sensíveis”, observa. Nos FIDCs, ele vê maior risco em carteiras pouco diversificadas por sacado, região ou cultura.

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Imagem: infomoney.com.br

Aloísio Teles, diretor de Investimentos da 18ib, ressalta que não é o agronegócio em si que sofre, mas sim os créditos mal originados ou excessivamente concentrados. Gestores considerados conservadores têm renegociado dívidas quando vislumbram recuperação, executado garantias quando necessário e endurecido regras para novas operações.

Liquidez versus solvência

Daronco aponta que muitos produtores enfrentam problemas de liquidez, não de solvência, pois grande parte do patrimônio está em terras. A dificuldade surge quando bancos não refinanciam linhas ou não renovam crédito de giro, contexto que permite a Fiagros e FIDCs retomar captações no início de 2024.

Investidor busca estruturas sólidas

Thiago Henrique Guimarães, head de Agronegócio da Brave Asset, indica que estratégias de crédito pulverizado, quando bem monitoradas, apresentam resiliência maior. Já José Eduardo Barbosa, CEO da Multiplica, reforça que fundos expostos a carteiras sem garantias robustas ou concentradas em perfis mais sensíveis tendem a sofrer mais atrasos.

Para os especialistas, o investidor deve analisar detalhes como lastro dos títulos, concentração por sacado, nível de subordinação das cotas, gatilhos de proteção e experiência da gestora. A combinação de spreads maiores, maior seletividade e exigência de governança tende, segundo eles, a fortalecer os veículos bem estruturados e a ampliar o espaço para operações de crédito mais seguras dentro do agronegócio.

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