O Fórum Econômico Mundial (WEF, na sigla em inglês) divulgou nesta terça-feira (28), em Davos, na Suíça, um relatório que elenca oito tecnologias com potencial de transformar mercados já nos próximos meses ou anos. O documento foi elaborado em parceria com a consultoria Capgemini.
Segundo o estudo, avanços em inteligência artificial, redes de internet e sensores tendem a impulsionar desde a adoção de robôs em cirurgias até aparelhos capazes de receber comandos diretamente do cérebro. Além de ampliar eficiência energética e otimizar fluxos de trabalho, as inovações podem ajudar países a enfrentar a escassez de profissionais qualificados. Nos Estados Unidos, por exemplo, a falta estimada de 10.100 a 19.900 cirurgiões até 2036 poderia ser parcialmente suprida por equipamentos autônomos.
“Essa mudança tem implicações não apenas para as empresas, mas também para as estratégias de crescimento nacional e para a política industrial. Economias que alinharem talento, infraestrutura, dados e políticas estarão em melhor posição para capturar os benefícios dessas tecnologias”, afirmou Jeremy Jurgens, diretor-executivo do WEF.
1. Robôs cirurgiões
Equipamentos autônomos prometem maior precisão, possibilidade de telecirurgia e redução do impacto da fadiga humana — fator que, de acordo com o relatório, comprometeu habilidades técnicas em 35% de 1,68 milhão de procedimentos analisados. A popularização dependerá de queda de custos e de maior confiança em sistemas automáticos.
2. Laboratórios autônomos
A integração de IA, robótica e ciências moleculares deverá permitir centros de pesquisa que operam 24 horas por dia com mínima intervenção humana. A expectativa é acelerar o desenvolvimento de novos medicamentos e materiais.
3. Interfaces cérebro-máquina não invasivas
Tecnologias capazes de captar sinais neurais sem cirurgia podem revolucionar dispositivos vestíveis. O relatório cita, por exemplo, o monitoramento em tempo real do estresse de pilotos. Os autores lembram que mais de 75% dos incidentes aeronáuticos decorrem de falhas perceptivas ligadas à atenção.
4. Redes de eletricidade inteligentes
Sistemas adaptativos em tempo real possibilitam equilibrar recursos distribuídos, como painéis solares domésticos e veículos elétricos, reduzindo contas de luz e aproveitando estruturas já instaladas. As redes atuais, projetadas para fluxo unidirecional, e a regulamentação vigente ainda representam barreiras.
Imagem: redir.folha.com.br
5. Ecossistemas de gêmeos digitais
Ao criar réplicas virtuais de infraestrutura, cadeias produtivas ou mesmo organismos, os gêmeos digitais permitem testes rápidos e precisos, diminuindo custos de manutenção e tempo de desenvolvimento de produtos.
6. IA na descoberta de materiais e moléculas
Ferramentas como o AlphaFold, do Google, geram hipóteses em volume muito superior ao da pesquisa tradicional. Startups que já combinam IA e automação relatam reduções de até 80% nos custos de projetos.
7. Robótica como serviço
Em vez de comprar equipamentos, fábricas poderão contratar soluções robóticas por assinatura, modelo semelhante ao da computação em nuvem. A norte-americana Formic já opera mais de 120 plantas industriais com taxa de renovação de 97%.
8. Aplicativos para coordenar pequenos negócios
Plataformas móveis agregam demandas de milhares de empresas de menor porte, usam IA para processar pedidos e buscam fornecedores, oferecendo aos usuários melhores preços mediante uma “taxa de coordenação”. O app chinês Black Lake é citado como exemplo.
Os autores ressaltam que, além do progresso tecnológico, mudanças regulatórias — como a recente autorização nos Estados Unidos para medicamentos de edição genética — devem abrir caminho para a chegada dessas inovações ao mercado.