ABU DHABI, – Os Emirados Árabes Unidos (EAU) anunciaram nesta terça-feira que deixarão a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e a aliança Opep+ em 1º de maio. A decisão elimina as cotas de produção impostas pelo grupo e dá ao país liberdade para ampliar sua participação nos mercados de petróleo bruto, petroquímicos e gás natural.
O ministro da Energia, Suhail al-Mazrouei, disse à agência Reuters que a mudança decorre de “análise cuidadosa” da estratégia energética nacional e reflete “decisão soberana” baseada em prioridades econômicas de longo prazo. Segundo ele, operar fora do bloco permitirá aos EAU responder melhor à demanda global futura. “Sem obrigações dentro do grupo, teremos flexibilidade”, declarou, citando a necessidade de oferta estável em um momento em que reservas estratégicas estão sendo consumidas.
A saída ocorre em meio a restrições no fluxo mundial de petróleo, agravadas por riscos de segurança no Estreito de Ormuz — ponto de passagem de cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito comercializados no planeta. Interrupções nessa rota têm intensificado a volatilidade dos preços.
Al-Mazrouei afirmou que Abu Dhabi não consultou diretamente outros produtores, incluindo a Arábia Saudita, antes de tomar a decisão, e avaliou que o impacto sobre o mercado deve ser limitado pelas restrições de oferta já existentes.
O afastamento dos EAU levanta dúvidas sobre a coordenação futura entre os integrantes da Opep+, que tradicionalmente recorrem a limites de produção para regular a oferta global e influenciar preços. O país é membro de longa data da organização.
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Autoridades dos Emirados também manifestaram insatisfação com a resposta de parceiros regionais a recentes ameaças de segurança. O assessor diplomático da Presidência, Anwar Gargash, afirmou em um fórum que os países do Conselho de Cooperação do Golfo ofereceram apoio logístico, mas mostraram postura “fraca” nos âmbitos político e militar.
A desvinculação dos EAU da Opep e da Opep+ entra em vigor em 1º de maio.