Mercado de crédito privado exige mais seletividade após alta de juros e eventos de risco, aponta XP

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O programa Espresso Outliers, conduzido pela analista de fundos da XP, Clara Sodré, discutiu os desafios mais recentes do crédito privado no Brasil e no exterior. Segundo a especialista, a combinação de juros mais elevados, mudanças regulatórias e episódios de risco corporativo reacendeu dúvidas dos investidores sobre a exposição a esse tipo de ativo.

De onde veio a pressão sobre os spreads

Clara relembrou que, durante a pandemia, a liquidez abundante, as taxas próximas de zero em economias desenvolvidas e estímulos fiscais reduziram os spreads – diferença entre a remuneração de títulos públicos e de papéis de crédito privado. O cenário mudou com o avanço da inflação global, levando o Federal Reserve a elevar os juros de 0% para níveis acima de 5%, o que encareceu o custo de capital em todo o mundo e voltou a alargar os spreads.

“Quando o mercado projeta mais risco à frente, ele passa a exigir maior prêmio para investir”, afirmou a analista.

Particularidades do mercado brasileiro

No Brasil, o crédito privado é mais concentrado e depende fortemente do risco soberano, o que aumenta a correlação com câmbio e Bolsa em momentos de estresse fiscal. Outro diferencial é o risco jurídico: o prazo médio de recuperação de crédito leva cerca de quatro anos, contra um ano em economias desenvolvidas, e a taxa de recuperação é de 18%, bem abaixo dos 80% verificados em Estados Unidos e Reino Unido.

Efeitos recentes e carteiras mais seletivas

Em 2023, ajustes regulatórios e a forte procura por renda fixa comprimiram novamente os spreads no país. Mais recentemente, juros elevados e eventos de crédito em grandes companhias tornaram o ambiente mais seletivo, movimento que Clara classifica como parte de um mercado “mais maduro”, e não como um estresse sistêmico.

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Imagem: infomoney.com.br

Para ilustrar o impacto da alocação, a analista apresentou um estudo que compara duas carteiras entre dezembro de 2024 e dezembro de 2025, ambas com 5% de exposição a emissores que enfrentaram problemas de crédito. Mesmo esse pequeno percentual foi suficiente para provocar diferenças significativas de rentabilidade. “Em estruturas concentradas, o evento de crédito afeta diretamente o retorno de longo prazo; já em carteiras diversificadas, como as de fundos, o efeito tende a ser administrável”, explicou.

Importância da diversificação

Com juros altos e liquidez mais restrita, a construção do portfólio ganha ainda mais relevância. “O risco de crédito não desaparece, mas pode ser melhor administrado com diversificação e seleção criteriosa de emissores”, concluiu Clara Sodré.

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