Choque global de commodities reduz expectativa de corte de juros no Brasil

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O cenário de juros mais baixos no Brasil perdeu força após uma sucessão de eventos internacionais que se intensificou entre o fim de fevereiro e o início de março, avaliaram gestores ouvidos pelo programa Aftermarket, apresentado por Lucas Collazo. A conversa ocorreu em Omaha, Estados Unidos, durante o encontro anual de acionistas da Berkshire Hathaway.

Em apenas oito semanas, o confronto direto entre Estados Unidos e Irã elevou o preço do petróleo acima de US$ 100 por barril e destruiu parques de energia no Oriente Médio, movimento que pressiona a inflação e impõe dilema adicional aos bancos centrais, inclusive o Banco Central do Brasil.

Paralelamente, registrou-se um rali histórico nos metais, fluxo recorde de capital para mercados emergentes, a retirada de Nicolás Maduro do poder na Venezuela por operação norte-americana e 18 pregões consecutivos de alta no índice de semicondutores dos EUA, com algumas ações subindo 150 % em 20 dias. Segundo os gestores, a Bolsa brasileira se beneficia parcialmente desse “efeito halo”, impulsionada pelo otimismo com emergentes.

Gestores relatam mudança brusca de ambiente

Christian Keleti, da Alpha Key, destacou que raramente se vê “um conjunto de mudanças tão intenso em tão pouco tempo”. Já Felipe Guerra, da Legacy Capital, lembrou que, no início do ano, o quadro era considerado favorável a ativos de risco. A gestora projetava inflação de 3,4 % para o Brasil e de 2,2 % para os Estados Unidos, abaixo do consenso de 2,7 % a 2,8 % nos EUA.

O ponto de inflexão, segundo Guerra, ocorreu em 27 de fevereiro, quando ataques iranianos a países vizinhos e a destruição de instalações energéticas mudaram as expectativas: “Passamos de mais crescimento e menos inflação para mais inflação e menos crescimento”, afirmou.

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Imagem: infomoney.com.br

Mercados reagem com volatilidade

Março foi marcado por forte realização de lucros, enquanto abril registrou recuperação em formato de V nas bolsas e nas moedas. Renda fixa e petróleo continuaram sob pressão. Para Guerra, o tamanho e a duração do choque do petróleo ainda são incertos, mas a combinação de inflação em alta e atividade mais fraca tende a limitar o espaço para cortes adicionais na Selic.

Além de Keleti e Guerra, participou do debate Andrew Rider, da WHG, que também apontou o novo quadro global como desafio para autoridades monetárias que vinham sinalizando flexibilização mais rápida da política de juros.

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