São Paulo, 6 de maio de 2026 – O preço do Bitcoin (BTC) avançou 7% na última semana e ultrapassou US$ 81 000, nível que não era visto havia mais de três meses, chegando a tocar a marca de US$ 82 000. Apesar do movimento de alta, os mercados de derivativos mostram pouca convicção de que o rali possa se sustentar.
Os contratos mensais de futuros do Bitcoin operavam nesta terça-feira com prêmio anualizado (basis) de 1% em relação ao mercado à vista, patamar bem abaixo da faixa considerada neutra, entre 4% e 8%. Esse comportamento cauteloso dos vendedores vem desde o fim de janeiro, quando o BTC era negociado perto de US$ 90 000.
O delta skew de 30 dias, que compara o custo de opções de venda (put) e de compra (call), aproximou-se do limite neutro de 6%, mas manteve-se levemente negativo. O dado sugere que baleias e formadores de mercado não preveem uma queda abrupta, embora também não demonstrem otimismo forte.
O preço do barril de Brent gira em torno de US$ 110, mantendo as preocupações com a inflação. Nos Estados Unidos, a expectativa inflacionária de cinco anos, medida pelo Federal Reserve Bank de Cleveland, atingiu 2,5%, perto do maior nível em uma década. Na zona do euro, os rendimentos dos títulos soberanos de 10 anos continuam subindo. Mesmo assim, o índice Nasdaq 100 renovou máxima histórica na terça-feira, indicando ambiente de maior apetite por risco.
Os indicadores de rede mostram recuo na participação de varejo. O volume diário transferido na blockchain caiu 54% em três meses, para US$ 4,1 bilhões, enquanto o número de transações se aproxima do menor patamar em mais de cinco anos.
Imagem: cointelegraph.com
Entre sexta-feira e segunda-feira, os fundos de índice (ETFs) de Bitcoin à vista listados nos Estados Unidos registraram entradas líquidas de US$ 1,16 bilhão, sinalizando demanda crescente de investidores institucionais.
A Strategy (MSTR US) interrompeu temporariamente suas aquisições de BTC na véspera da divulgação de resultados. Analistas projetam que a companhia, comandada por Michael Saylor, reporte prejuízo trimestral em razão da contabilização a mercado de seus ativos em Bitcoin.
Embora a fraqueza dos derivativos mostre ausência de posições alavancadas de compra, analistas avaliam que esse fator pode, eventualmente, favorecer novas altas: caso o preço continue subindo, vendedores em posições curtas podem ser forçados a recomprar BTC, aumentando a pressão de compra.