NOVA IORQUE, 5 de maio de 2026 — O protocolo de finanças descentralizadas (DeFi) Aave ingressou nesta segunda-feira com uma moção de urgência em um tribunal distrital de Nova Iorque para anular o restraining notice emitido pelo escritório Gerstein Harrow LLP, que impede a Arbitrum DAO de transferir 30.766 Ether (ETH) às vítimas do exploit da Kelp DAO.
Na sexta-feira, o Gerstein Harrow notificou a Arbitrum DAO alegando que seus clientes têm direito a mais de US$ 877 milhões em sentenças judiciais contra a Coreia do Norte. Segundo o escritório, o grupo de hackers norte-coreano supostamente envolvido no ataque Kelp teve a posse dos tokens, o que daria aos credores legítima reivindicação sobre os 30.766 ETH congelados.
No pedido apresentado, a defesa da Aave argumenta que “um ladrão não adquire propriedade legal ao furtar um bem” e sustenta que a ligação da Coreia do Norte ao caso é apenas suspeita. Para o protocolo, a tese do escritório “contraria a lógica, o bom senso e a lei”.
Aave afirma que manter os ativos congelados pode causar “dano irreparável” aos usuários, ao próprio protocolo e a todo o ecossistema DeFi, já que os recursos seriam usados para recompor os detentores de rsETH por meio da iniciativa DeFi United. O hack à Kelp DAO, em 18 de abril, gerou um rombo estimado em US$ 292 milhões.
Segundo a moção, a demora ameaça comprometer garantias usadas como colateral em outras posições e pode desestimular futuras tentativas de recuperar fundos obtidos em ataques associados à Coreia do Norte, além de incentivar novos crimes.
Imagem: Trader Iniciante 2 (9)
Enquanto a disputa judicial avança, a Arbitrum DAO realiza até 7 de maio uma votação para decidir se libera ou não os 30.766 ETH em apoio ao DeFi United.
Se o tribunal optar por manter o bloqueio, a Aave solicita que o Gerstein Harrow deposite uma garantia de US$ 300 milhões para cobrir eventuais danos até a decisão final.
Até o momento, o juiz responsável não marcou audiência nem se pronunciou sobre o pedido de urgência. O Gerstein Harrow já recorreu a ações semelhantes em outros casos, como o hack à Heco Bridge em 2023 e o exploit da Bybit em 2025.