Taxas dos CDBs recuam em abril após pico de março e média cai para 99,42% do CDI

Estratégias de investimentoagora mesmo6 Visualizações

Levantamento da Quantum Finance mostra que, em abril, as remunerações dos Certificados de Depósito Bancário (CDBs) voltaram a níveis inferiores aos registrados em março, mês marcado por forte tensão geopolítica e incerteza fiscal. A taxa média dos CDBs pós-fixados com vencimento em 24 meses passou de 100,56% do CDI em março para 99,42% do CDI em abril.

Pós-fixados perdem prêmio extra

Para Ângelo Belitardo, gestor da Hike Capital, a queda reflete uma normalização depois do estresse observado em março. Ramiro Gomes Ferreira, sócio fundador do Clube do Valor, acrescenta que, com a expectativa de juros altos ficando estável tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, o prêmio adicional oferecido pelos bancos no mês anterior foi reduzido.

Retornos de CDBs atrelados ao CDI (01 a 30/04/2026)

  • 3 meses – mínima de 97,50% do CDI, média de 100,08% e máxima de 103,80% (43 títulos; maior taxa: C6)
  • 6 meses – mínima de 97,50%, média de 99,12% e máxima de 103,50% (49 títulos; maior taxa: Paraná Banco)
  • 12 meses – mínima de 90,00%, média de 98,72% e máxima de 109,00% (79 títulos; maior taxa: Paraná Banco)
  • 24 meses – mínima de 96,50%, média de 99,42% e máxima de 102,05% (50 títulos; maior taxa: ABC Brasil)
  • 36 meses – mínima de 98,00%, média de 100,39% e máxima de 104,00% (76 títulos; maior taxa: Stone)

Indexados ao IPCA também cedem

No segmento de inflação, os emitentes privados ajustaram rapidamente o spread diante da queda dos juros dos títulos públicos indexados ao IPCA. Em prazos de 24 meses, a taxa média recuou de IPCA + 7,81% para IPCA + 7,72%.

Retornos de CDBs atrelados ao IPCA (01 a 30/04/2026)

  • 1 ano – mínima de IPCA + 7,01%, média de IPCA + 7,99%, máxima de IPCA + 8,59% (132 títulos; maior taxa: Haitong Brasil)
  • 2 anos – mínima de IPCA + 6,97%, média de IPCA + 7,72%, máxima de IPCA + 8,44% (135 títulos; maior taxa: Haitong Brasil)
  • 3 anos – mínima de IPCA + 6,86%, média de IPCA + 7,70%, máxima de IPCA + 8,30% (91 títulos; maior taxa: Haitong Brasil)

Prefixados sobem

Na direção oposta, os CDBs prefixados entre 12 e 36 meses foram os únicos a registrar alta de rendimento. Segundo a Quantum Finance, os papéis de 36 meses saltaram de 13,48% ao ano em março para 13,73% ao ano em abril. Belitardo explica que o avanço se deve ao receio do mercado em travar uma taxa nominal por período prolongado, diante de inflação persistente e incerteza fiscal.

Retornos de CDBs prefixados (01 a 30/04/2026)

  • 6 meses – mínima de 13,37% ao ano, média de 13,65%, máxima de 13,99% (24 títulos; maior taxa: ABC Brasil)
  • 12 meses – mínima de 13,22%, média de 13,63%, máxima de 14,10% (41 títulos; maior taxa: Haitong Brasil)
  • 24 meses – mínima de 12,62%, média de 13,53%, máxima de 14,26% (50 títulos; maior taxa: Haitong Brasil)
  • 36 meses – mínima de 12,79%, média de 13,73%, máxima de 14,55% (51 títulos; maior taxa: C6 Consignado)

Orientações para os investidores

Bruno Perri, economista-chefe da Forum Investimentos, avalia que, mesmo após a retração, os retornos seguem atrativos pela baixa volatilidade e risco reduzido. Ferreira recomenda a estratégia de escada de vencimentos para garantir liquidez periódica e evitar ficar preso a uma única taxa. Ele e Fernando Benavenuto, sócio da GT Capital, alertam para o risco de crédito: evitar rendimentos muito baixos dos grandes bancos é prudente, mas buscar taxas excessivamente altas em instituições frágeis exige atenção redobrada. Benavenuto vê melhores oportunidades em bancos médios com boa classificação e sugere prazos acima de três anos para papéis atrelados à inflação.

Já Belitardo prefere cautela com CDBs IPCA+, citando risco de prazo, liquidez e concentração. Para maio, Ferreira afirma que o comportamento das taxas dependerá dos dados fiscais; piora nas contas públicas pode pressionar os rendimentos para cima, enquanto sinais de disciplina podem manter as atuais cotações. Benavenuto acrescenta que a evolução do ciclo de afrouxamento monetário também será determinante: ausência de novos ruídos tende a sustentar nova queda nas taxas pós-fixadas.

Os especialistas concordam que a diversificação entre bons pós-fixados e indexados à inflação continua sendo a principal recomendação para preservar liquidez e poder de compra.

0 Votes: 0 Upvotes, 0 Downvotes (0 Points)

Deixe um Comentário

Comentários Recentes

Pesquisar tendência
Redação
carregamento

Entrar em 3 segundos...

Inscrever-se 3 segundos...

Todos os campos são obrigatórios.