Levantamento da Quantum Finance mostra que, em abril, as remunerações dos Certificados de Depósito Bancário (CDBs) voltaram a níveis inferiores aos registrados em março, mês marcado por forte tensão geopolítica e incerteza fiscal. A taxa média dos CDBs pós-fixados com vencimento em 24 meses passou de 100,56% do CDI em março para 99,42% do CDI em abril.
Para Ângelo Belitardo, gestor da Hike Capital, a queda reflete uma normalização depois do estresse observado em março. Ramiro Gomes Ferreira, sócio fundador do Clube do Valor, acrescenta que, com a expectativa de juros altos ficando estável tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, o prêmio adicional oferecido pelos bancos no mês anterior foi reduzido.
Retornos de CDBs atrelados ao CDI (01 a 30/04/2026)
No segmento de inflação, os emitentes privados ajustaram rapidamente o spread diante da queda dos juros dos títulos públicos indexados ao IPCA. Em prazos de 24 meses, a taxa média recuou de IPCA + 7,81% para IPCA + 7,72%.
Retornos de CDBs atrelados ao IPCA (01 a 30/04/2026)
Na direção oposta, os CDBs prefixados entre 12 e 36 meses foram os únicos a registrar alta de rendimento. Segundo a Quantum Finance, os papéis de 36 meses saltaram de 13,48% ao ano em março para 13,73% ao ano em abril. Belitardo explica que o avanço se deve ao receio do mercado em travar uma taxa nominal por período prolongado, diante de inflação persistente e incerteza fiscal.
Imagem: Donald Giannatti via infomoney.com.br
Retornos de CDBs prefixados (01 a 30/04/2026)
Bruno Perri, economista-chefe da Forum Investimentos, avalia que, mesmo após a retração, os retornos seguem atrativos pela baixa volatilidade e risco reduzido. Ferreira recomenda a estratégia de escada de vencimentos para garantir liquidez periódica e evitar ficar preso a uma única taxa. Ele e Fernando Benavenuto, sócio da GT Capital, alertam para o risco de crédito: evitar rendimentos muito baixos dos grandes bancos é prudente, mas buscar taxas excessivamente altas em instituições frágeis exige atenção redobrada. Benavenuto vê melhores oportunidades em bancos médios com boa classificação e sugere prazos acima de três anos para papéis atrelados à inflação.
Já Belitardo prefere cautela com CDBs IPCA+, citando risco de prazo, liquidez e concentração. Para maio, Ferreira afirma que o comportamento das taxas dependerá dos dados fiscais; piora nas contas públicas pode pressionar os rendimentos para cima, enquanto sinais de disciplina podem manter as atuais cotações. Benavenuto acrescenta que a evolução do ciclo de afrouxamento monetário também será determinante: ausência de novos ruídos tende a sustentar nova queda nas taxas pós-fixadas.
Os especialistas concordam que a diversificação entre bons pós-fixados e indexados à inflação continua sendo a principal recomendação para preservar liquidez e poder de compra.