A renda média do trabalho no Distrito Federal alcançou R$ 6.320 por mês em 2025, segundo módulo da Pnad Contínua divulgado pelo IBGE nesta sexta-feira (8). O valor mantém o DF na liderança nacional e é mais que o dobro do verificado em 14 unidades da Federação do Norte e do Nordeste.
Receberam menos da metade do rendimento brasiliense Maranhão, Bahia, Ceará, Pará, Alagoas, Piauí, Paraíba, Pernambuco, Amazonas, Acre, Sergipe, Rio Grande do Norte, Amapá e Tocantins. Em 2024, essa distância ultrapassava dez estados.
O levantamento considera a renda real habitualmente recebida em todos os trabalhos, formais ou informais, nos setores público e privado.
Com R$ 6.320, o rendimento do DF ficou 77,5% acima da média brasileira de R$ 3.560 em 2025. No ano anterior, a vantagem era de 57,1%.
O Distrito Federal também registrou o maior índice de Gini do país, 0,557, 13,4% acima do patamar nacional (0,491) e 37,2% superior ao observado em Santa Catarina (0,406), estado com menor desigualdade. Especialistas atribuem o resultado à forte presença de servidores de alta remuneração em Brasília, contrastando com trabalhadores de baixa qualificação no setor de serviços.
Dados trimestrais da Pnad mostram que, no quarto trimestre de 2025, empregados do setor público no DF recebiam em média quase R$ 12,6 mil mensais, mais que o dobro da média nacional de R$ 5.339.
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Dentro do funcionalismo distrital, militares e estatutários registraram rendimento médio de R$ 13,4 mil, contra R$ 6.397 no Brasil. Entre empregados públicos com carteira assinada, a média no DF foi de R$ 12,1 mil (Brasil: R$ 4.926), enquanto servidores sem carteira ganharam R$ 7.355 (Brasil: R$ 3.018).
No mercado privado, trabalhadores com ou sem carteira no DF receberam, em média, R$ 3.716 no período, acima dos R$ 3.088 do país, mas abaixo de São Paulo (R$ 3.883). Entre empregados privados com carteira, o rendimento médio foi de R$ 3.724 no DF, R$ 3.263 no Brasil e R$ 3.898 em São Paulo.
Analistas apontam que a combinação de salários elevados na elite do funcionalismo e postos de menor qualificação no setor de serviços explica tanto a renda média elevada quanto o alto grau de desigualdade no Distrito Federal.