A Química Amparo, dona da marca Ypê, obteve nesta sexta-feira (8) efeito suspensivo sobre a determinação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) que exigia o recolhimento de detergentes, lava-roupas líquidos e desinfetantes com lotes terminados em “1”, divulgada na quinta-feira (7).
Com o recurso, fica temporariamente anulada a proibição de fabricar e comercializar produtos das linhas lava-louças, lava-louças concentrado, lava-roupas líquido e desinfetantes até que a Diretoria Colegiada da Anvisa delibere sobre o caso, o que deve ocorrer nos próximos dias.
Apesar do efeito automático previsto em resolução da própria agência para recursos administrativos, a Anvisa sustenta a avaliação inicial de risco sanitário e continua recomendando que consumidores não utilizem os itens afetados. O órgão frisa que cabe à empresa orientar o público, por meio do serviço de atendimento ao consumidor, sobre recolhimento, troca, devolução ou ressarcimento.
Em nota, a Ypê afirmou que a segurança dos clientes “é prioridade máxima” e que permanece em diálogo “constante e permanente” com a agência para buscar uma solução definitiva “no menor tempo possível”.
A inspeção que motivou a suspensão identificou falhas em etapas críticas do processo produtivo na fábrica de Amparo (SP), incluindo problemas de garantia da qualidade, produção e controle de qualidade. Segundo a Anvisa, as deficiências podem levar à contaminação microbiológica, com risco de doenças ou irritações.
Imagem: redir.folha.com.br
A medida se restringe aos lotes finalizados em “1” das seguintes mercadorias:
Desde o anúncio inicial de recolhimento, supermercados retiraram os produtos das prateleiras e o SAC da Ypê ficou congestionado. Chamadas para o número 0800-1300-544 não foram completadas e mensagens enviadas ao e-mail [email protected] retornaram com aviso de caixa de entrada lotada.
Em novembro de 2025, a Ypê já havia enfrentado suspensão semelhante por contaminação microbiológica em 14 lotes de lava-roupas líquidos Ypê e Tixan Ypê. Na ocasião, a bactéria Pseudomonas aeruginosa, resistente a antibióticos e associada a alta letalidade hospitalar, foi identificada. Ainda não há confirmação de que a mesma bactéria esteja envolvida na ocorrência atual.