Neste domingo (10), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que a resposta do Irã a uma proposta norte-americana para negociações de paz é “totalmente inaceitável”. A crítica foi publicada na rede Truth Social, sem detalhes adicionais sobre os motivos da rejeição.
Segundo a mídia estatal iraniana, Teerã condicionou um eventual entendimento ao fim imediato da guerra em todas as frentes, com ênfase no Líbano, e à garantia de segurança da navegação no Estreito de Hormuz. O Irã também solicitou a suspensão do bloqueio naval dos EUA, a retirada de sanções, inclusive a proibição norte-americana à venda de petróleo iraniano, e garantias de que não haverá novos ataques contra seu território.
Fontes citadas pelo jornal The Wall Street Journal afirmaram que o governo iraniano se dispôs a diluir parte do urânio altamente enriquecido que possui e transferir o restante a um terceiro país, como parte de um possível acordo mais amplo.
O Paquistão, que atua como mediador, encaminhou a proposta iraniana a Washington, conforme confirmou um funcionário paquistanês. Até o fechamento desta edição, não houve posicionamento oficial da Casa Branca.
Apesar do bloqueio no Estreito de Hormuz, dois navios circularam pela rota estratégica neste domingo. O transportador de gás natural liquefeito Al Kharaitiyat, operado pela QatarEnergy, cruzou o estreito em direção ao Porto Qasim, no Paquistão, marcando a primeira passagem de um navio do Catar desde o início da guerra em 28 de fevereiro. A travessia foi confirmada pela empresa de análise marítima Kpler.
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Também conseguiu atravessar a região um graneleiro com bandeira do Panamá, que rumava ao Brasil e havia tentado a passagem sem sucesso no dia 4 de maio. De acordo com a agência semioficial iraniana Tasnim, o navio utilizou um corredor designado pelas forças armadas iranianas.
Mesmo com um cessar-fogo em vigor há cerca de um mês, drones hostis foram identificados sobre vários países do Golfo no domingo, sinalizando que a segurança na área permanece frágil.
A proposta dos EUA previa o encerramento dos combates antes de conversas sobre assuntos mais sensíveis, como o programa nuclear iraniano. A rejeição de Trump à resposta iraniana adiciona incerteza às tentativas de mediação em meio à tensão na principal rota marítima do Oriente Médio.