O lançamento do Tesouro Reserva — título público que remunera exatamente a taxa Selic, permite aplicações a partir de R$ 1 e libera o dinheiro em até 24 horas por Pix — acendeu um alerta nos grandes bancos. A avaliação de profissionais do mercado é que a nova opção de renda fixa, por carregar risco soberano e oferecer liquidez quase imediata, tira dos CDBs a exclusividade de “conta remunerada” com rendimento próximo ao CDI.
Na prática, o investidor encontra um produto simples, de baixo risco e altamente líquido — características que sempre deram vantagem aos CDBs dos bancões.
Especialistas ouvidos pelo InfoMoney apontam que, se o Tesouro Reserva ganhar escala, os bancos de grande porte precisarão oferecer entre 105% e 110% do CDI para segurar depósitos. Hoje, mais de 90% dos CDBs emitidos por essas instituições permitem resgate antecipado e abastecem as chamadas “caixinhas” ou “cofrinhos” digitais. Segundo dados da Anbima e do Banco Central, o varejo detém R$ 633 bilhões em CDBs e RDBs; a alta renda, outros R$ 556 bilhões.
Elevar a remuneração tem custo. Um diretor de banco de médio porte afirma que a despesa extra tende a aparecer nos juros cobrados em linhas de crédito, porque a margem dos bancos é calculada justamente sobre o spread entre captação e empréstimo.
Nem só os CDBs sentem a nova concorrência. Gestores lembram que muitos fundos DI de gestão de caixa já perdiam atratividade pela taxa de administração e pelo come-cotas — antecipação semestral de IR. Com o Tesouro Reserva, que só recolhe IR no resgate, a comparação fica ainda mais desfavorável para fundos que entregam rendimento inferior a 100% do CDI.
Imagem: Reprodução | Trader Iniciante
Para Ricardo Rocha, professor do Insper, o impacto dependerá de o investidor comum aprender a usar o produto. Ele recorda que o Tesouro Direto existe há mais de 20 anos e ainda compete com a poupança, que soma 32 milhões de aplicadores, contra cerca de 2 milhões no Tesouro. “Dar dois cliques a mais” continua sendo um obstáculo à migração.
Para o investidor iniciante, a novidade amplia o leque de aplicações conservadoras, mas também reforça a importância de comparar liquidez, rentabilidade líquida de impostos e risco de crédito antes de decidir onde deixar a reserva de emergência.
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