O mercado de crédito privado norte-americano atravessa um período de tensão. Após dois calotes de grandes empresas em setembro de 2025, o volume de pedidos de resgate disparou nos Business Development Companies (BDCs) — fundos listados que emprestam diretamente para companhias de médio porte. Ainda assim, o gestor Renato Jerusalmi, sócio-fundador da Riza Asset, avalia que o estresse é pontual e distante de um colapso semelhante ao subprime de 2008.
Os episódios fizeram os resgates nos BDCs saltarem de 1,5% ao trimestre para 5% no quarto trimestre de 2025 e 8,5% no primeiro trimestre de 2026 — patamar elevado para um segmento que trabalha com ativos de baixa liquidez.
BDCs são veículos regulados pela SEC que captam recursos — em grande parte de fundos de pensão, endowments e seguradoras — e os direcionam a empresas fora do radar bancário tradicional. Quando muitos cotistas pedem dinheiro de volta, o gestor pode acionar o gate, cláusula que limita os saques e evita venda forçada de ativos. Segundo Jerusalmi, a prática protege a própria carteira e reduz o risco de contaminação.
A participação majoritária de investidores institucionais (85%) também ajuda a conter movimentos de pânico, segundo o gestor.
Parte relevante do capital concedido pelo private credit foi destinada a empresas de software compradas por fundos de private equity. A rápida adoção da inteligência artificial aumentou a incerteza sobre o modelo de negócios dessas companhias, derrubando o índice de software do S&P em cerca de 35% desde outubro de 2025. Com valuations menores, o colchão de garantias encolheu e o risco de inadimplência subiu.
Imagem: Reprodução | Trader Iniciante
Mesmo num cenário de inadimplência de 10%, o impacto estimado por Jerusalmi seria de US$ 200 bilhões — cerca de 0,5% do PIB dos EUA — suficiente para gerar aperto de crédito e possível recessão leve, mas não um choque sistêmico.
Embora o evento seja localizado, abalos no crédito americano costumam mexer com o apetite global por risco. Para o investidor brasileiro:
Por ora, o quadro descrito pela Riza Asset sugere turbulência setorial, mas sem sinal de contágio amplo. Ainda assim, vale acompanhar os indicadores de inadimplência dos BDCs e o ritmo de saques para entender se o estresse ficará realmente restrito a alguns nichos da economia americana.
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