Energia solar e eólica ultrapassam gás natural e marcam nova fase no mercado global de eletricidade

Ricardo AlmeidaRicardo AlmeidaMercado Financeiro15 horas atrás8 Visualizações

O mês de abril entrou para a história do setor elétrico mundial. Segundo dados da Ember, a produção de eletricidade por fontes solar e eólica somou 531 TWh, superando, pela primeira vez, os 477 TWh das usinas a gás natural. As renováveis responderam por 22% da oferta global de energia, enquanto o gás ficou em 20%.

O que explica o marco histórico

  • Crise de oferta de combustíveis fósseis – O fechamento parcial do Estreito de Hormuz reduziu a circulação de 20% do gás e 25% do petróleo mundial, pressionando preços e ampliando o custo de geração a gás.
  • Queda no custo das renováveis – Avanços tecnológicos fizeram o preço de painéis solares e aerogeradores recuar, tornando-os competitivos mesmo sem subsídio.
  • Segurança energética – Países buscam reduzir a dependência de combustíveis importados diante do terceiro choque de energia em seis anos (pandemia, guerra na Ucrânia e agora conflito no Irã).

Carvão ainda domina, mas perde fôlego

Apesar do avanço das renováveis, o carvão gerou 758 TWh em abril e segue como principal fonte do mundo. Estudos citados pela Ember e pela BloombergNEF projetam que o uso desse combustível pode cair pela metade até 2050, mais por falta de competitividade econômica do que por metas ambientais.

Desempenho dos principais mercados

  • China: +13% em geração solar e eólica em 12 meses.
  • União Europeia: +14% no mesmo período, ajudada por metas climáticas agressivas.
  • Reino Unido: +35%, puxado pelo offshore wind.
  • Austrália: +17%.
  • Chile: +24%.
  • Brasil: +4%, crescimento modesto comparado aos pares.
  • EUA: +8%, apesar do discurso contrário da Casa Branca à energia eólica.

Relevância para o bolso do investidor

Para quem acompanha o mercado financeiro, a mudança tem reflexos diretos:

  • Empresas listadas – Geradoras renováveis tendem a manter planos de expansão de capacidade, influenciando resultados e dividendos. Movimentos de captação via debêntures incentivadas ou ofertas de ações podem aumentar.
  • Fundos de infraestrutura e Fiagro – A maior previsibilidade de receita dos parques eólicos e solares costuma atrair gestores em busca de fluxos de caixa estáveis indexados ao IPCA ou ao CDI.
  • Dólar e inflação – Menor uso de combustíveis importados pode aliviar pressões de câmbio em países dependentes de gás externo. Isso pesa na formação de preços de energia, item que compõe os índices de inflação.
  • Juros – Caso o choque de energia se prolongue, Bancos Centrais podem ser forçados a manter juros elevados para conter impactos inflacionários. No Brasil, isso se traduz em atenção redobrada ao rumo da Selic.

Por que o Brasil cresce menos que pares

Mesmo sendo um dos poucos países com matriz elétrica majoritariamente renovável, o avanço de 4% em abril ficou distante de outras nações. Parte disso se explica pelo peso já elevado das hidrelétricas e pela base de comparação alta. Além disso, o ciclo de chuvas favorável diminuiu a necessidade imediata de novas plantas solares ou eólicas.

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Imagem: Reprodução | Trader Iniciante

Veículos elétricos reforçam a tendência

No mesmo mês, as vendas de carros elétricos na Europa saltaram 34%, indicando que a transição não se limita à geração de eletricidade. A demanda adicional por energia limpa para abastecer essa frota pode acelerar ainda mais a instalação de novas usinas renováveis.

O que monitorar daqui para frente

  • Custos de capex de painéis e turbinas: quedas adicionais podem pressionar tarifas e margens.
  • Decisões de política energética: subsídios, leilões de energia e possíveis mudanças regulatórias.
  • Evolução do conflito no Oriente Médio: qualquer movimento que afete oferta de gás ou petróleo pode realocar capital para projetos renováveis.
  • Taxa de juros globais: impacta o custo de financiamento de grandes parques eólicos e solares.

Embora o carvão ainda seja o líder mundial, o fato de solares e eólicas já terem deixado o gás para trás indica que a curva de adoção das renováveis ganhou ritmo. Para investidores, acompanhar essa transição deixará de ser opcional e se tornará parte do monitoramento regular de riscos e oportunidades ligados à energia, inflação e crescimento econômico.

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