As taxas dos Depósitos Interfinanceiros (DIs) fecharam em baixa nesta segunda-feira (25) em toda a curva, movimento impulsionado pela expectativa de um entendimento definitivo entre Estados Unidos e Irã que ponha fim às hostilidades no Oriente Médio.
Na prática, a curva de juros futuros — que reflete a expectativa do mercado para a Selic nos próximos anos — ficou mais inclinada para baixo, indicando um ambiente um pouco menos pressionado para a renda fixa de curto, médio e longo prazos.
Um eventual cessar-fogo tende a aliviar o risco de interrupção do fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de um quinto da commodity consumida no mundo. A perspectiva de oferta mais estável derrubou o Brent em 6,78%, para US$ 93,42 o barril. Preço de petróleo menor reduz pressões inflacionárias globais, o que costuma se traduzir em juros mais baixos.
Com os Treasuries fechados devido ao Memorial Day, faltaram referências externas. Mesmo assim, o enfraquecimento do dólar em 0,18%, para R$ 5,0190, reforçou a sensação de menor aversão ao risco.
Para o investidor que aplica em títulos atrelados ao CDI ou em pós-fixados do Tesouro Direto (Tesouro Selic), a redução das taxas futuras pode indicar rendimentos ligeiramente menores se o movimento persistir. Já quem busca travar taxas hoje em prefixados ou em NTN-Bs de prazos longos vê os juros recuarem, o que eleva o preço desses papéis no mercado secundário.
Vale lembrar: flutuações de curto prazo na curva não garantem a taxa que o Banco Central definirá nas próximas reuniões. O Copom segue olhando dados de inflação e atividade.
Imagem: Liliane de Lima
No Boletim Focus divulgado pela manhã, analistas elevaram a estimativa de IPCA para 2026 de 4,92% para 5,04%. A projeção para a Selic permaneceu em 13,25%, enquanto a estimativa para o dólar ao fim de 2026 recuou levemente para R$ 5,17.
Um petróleo mais barato tende a aliviar pressões sobre combustíveis e derivados, fatores importantes no IPCA. Caso o cenário de paz se confirme, o real pode continuar se beneficiando de fluxos estrangeiros, mas incertezas eleitorais mantêm a volatilidade no radar.
Por ora, a combinação de dólar mais fraco, petróleo em baixa e alívio na curva de DIs oferece um respiro para a renda fixa local, mas o quadro segue dependente do noticiário geopolítico e da trajetória inflacionária.
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