Guerras e tarifas reforçam agronegócio brasileiro; SLC Agrícola ajusta rota para exportar mais

Felipe MartinsFelipe MartinsEstratégias de investimento14 horas atrás10 Visualizações

O agravamento de conflitos geopolíticos e disputas tarifárias vem mudando o mapa mundial da oferta de grãos. Segundo Aurélio Pavinato, presidente da SLC Agrícola (SLCE3), o Brasil converteu incerteza externa em novos contratos de soja e milho, produtos que sofreram fortes quebras de safra na Ucrânia e restrições na disputa EUA-China.

Brasil vira fornecedor de “última instância”

Quando a Ucrânia foi invadida, compradores de milho buscaram origens alternativas; na guerra comercial entre Estados Unidos e China, o fluxo de soja migrou. Agora, com tensão no Oriente Médio, a busca por um parceiro fora das rotas de conflito se repete. A leitura de Pavinato é que o país vem sendo percebido como produtor estável, fator decisivo em um mercado em que atraso de semanas compromete o abastecimento global.

No câmbio, a volatilidade costuma favorecer exportadores: dólar mais forte aumenta a receita em reais. Para o investidor iniciante, isso ajuda a entender por que empresas do agro podem ter desempenho descorrelacionado da economia doméstica tradicional.

Logística continua sendo o “calcanhar de Aquiles”

Apesar da vantagem competitiva na produção, levar grãos do Cerrado ao porto ainda custa mais do que na Argentina ou nos EUA. A diferença, explica o executivo, corrói margens. A solução passa por investimentos em rodovias, ferrovias e hidrovias — temas que também interessam a quem investe em concessões de infraestrutura ou em FIIs de logística.

A redução desse custo tende a valorizar a terra. Hoje, o hectare no Cerrado sai por US$ 10 mil–15 mil, enquanto áreas equivalentes na América do Norte ultrapassam US$ 30 mil. Para Pavinato, a aproximação desses preços é questão de tempo e de frete mais barato.

Venda de terras e irrigação triplicam produtividade

No ano passado, a SLC alienou cerca de R$ 1 bilhão em propriedades rurais para fundos e reinvestiu o capital em sistemas de irrigação nas mesmas áreas. Resultado: duas safras por ano e potencial de elevar a produtividade em 220% ao longo do tempo. O modelo — parecido com o sale-leaseback visto no setor imobiliário — libera caixa sem abrir mão da operação agrícola.

Com a previsão de El Niño, fenômeno que costuma provocar secas no Nordeste, a companhia ampliará a área irrigada de 16 mil para 53 mil hectares, com foco na Bahia. A mitigação climática virou ponto sensível para investidores que monitoram riscos ESG e de receita.

Dividendo recorrente em cenário de Selic descendente

A empresa mantém política de distribuir 50% do lucro líquido desde 2017. Nos últimos cinco anos, o retorno médio ao acionista foi de 5,2% ao ano, índice que garantiu lugar no IDIV, carteira da B3 focada em pagadoras de dividendos. Em ambiente de Selic mais alta, esse percentual pode parecer modesto frente a renda fixa. Porém, com possível ciclo de queda dos juros, fluxos tendem a buscar renda variável de empresas com histórico estável de distribuição.

Importante: dividendos não são garantia futura; dependem de safra, preço das commodities e câmbio. Para o investidor iniciante, avaliar consistência de caixa e endividamento ajuda a dimensionar o risco antes de apostar em estratégias de renda via proventos.

Formação de pessoas como vantagem competitiva

Oito em cada dez líderes da SLC vêm de promoção interna. A companhia oferece programas de estágio, trainee e graduação dentro das fazendas. Em tese, turnover menor preserva conhecimento e reduz custo operacional — variável que impacta diretamente a eficiência e, por extensão, o resultado por ação.

O que acompanhar daqui para frente

  • Avanço de obras de infraestrutura que possam reduzir o frete agrícola.
  • Evolução do fenômeno El Niño e volume das chuvas no Matopiba.
  • Preços internacionais de soja e milho, influenciados por conflitos e câmbio.
  • Próximas operações de venda de terras e expansão da área irrigada.
  • Decisões de política monetária no Brasil e nos EUA, que afetam dólar e custo de capital.

Com cadeias globais ainda desorganizadas, o Brasil permanece no radar de compradores internacionais. Para investidores, observar como empresas como a SLC equilibram produtividade, logística e gestão de risco climático ajuda a entender o verdadeiro potencial — e as limitações — do maior fornecedor emergente de grãos do planeta.

Ferramentas úteis para investidores

Use as ferramentas gratuitas do Trader Iniciante para simular investimentos, acompanhar o Tesouro Direto e consultar resultados atualizados.

0 Votes: 0 Upvotes, 0 Downvotes (0 Points)

Deixe um Comentário

Comentários Recentes

Trader Iniciante é um participante do Programa de Associados da Amazon.

Pesquisar tendência
Redação
carregamento

Entrar em 3 segundos...

Inscrever-se 3 segundos...