Entidades de direitos humanos ligadas às universidades Cardozo (EUA) e Toronto (Canadá), com apoio de lideranças indígenas do povo mura, protocolaram pedidos de investigação contra a Potássio do Brasil na Securities and Exchange Commission (SEC) e na Ontario Securities Commission (OSC). Os grupos alegam que a empresa omitiu riscos relevantes ao captar recursos para um projeto de extração de potássio em Autazes, no Amazonas.
SEC e OSC exercem nos Estados Unidos e no Canadá papel semelhante ao da CVM no Brasil: supervisionam ofertas de valores mobiliários e protegem investidores contra informações enganosas. Nos documentos enviados em 5 de maio, os institutos afirmam que a Potássio do Brasil teria:
A empresa – controlada pelo grupo canadense Forbes & Manhattan e por investidores internacionais e brasileiros – pretende investir US$ 2,5 bilhões para produzir potássio, matéria-prima de fertilizantes. O plano inclui mina subterrânea e porto no rio Madeira. Segundo a companhia, o projeto avança “em conformidade com a legislação brasileira”, mas ainda não recebeu qualquer notificação formal dos reguladores norte-americanos.
O Brasil importa mais de 95% do fertilizante potássico que consome, cerca de 30% vindo da Rússia. Essa dependência expõe o agronegócio à volatilidade cambial e a choques de oferta externos, afetando custos de produção e, por consequência, inflação de alimentos. Por isso, governos de diferentes matizes políticos veem a produção doméstica como estratégica. Ainda assim, projetos de mineração na Amazônia esbarram em questões socioambientais, o que aumenta o risco regulatório – componente cada vez mais sensível para investidores diante das agendas de ESG.
Imagem: Reprodução | Trader Iniciante
Embora a Potássio do Brasil não tenha capital aberto no Brasil, o caso oferece lições relevantes:
Enquanto SEC e OSC analisam os pedidos, o Ministério Público Federal segue questionando na Justiça as licenças estaduais já concedidas. O desenrolar dessas frentes jurídicas deve determinar a velocidade — ou a paralisação — do projeto que, há 16 anos, busca transformar a bacia de potássio de Autazes em alternativa doméstica para o agronegócio brasileiro.
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