Crescimento de 4,3% no PIB dos EUA anima mercado; lucros avançam 15%, diz Larry Kudlow

Camila RochaCamila RochaDificuldades e desafios27 minutos atrás10 Visualizações

O comentarista econômico Larry Kudlow, ex-assessor da Casa Branca, defendeu que a economia dos Estados Unidos “está ganhando força” mesmo diante do avanço dos preços dos combustíveis. Segundo ele, a estimativa GDPNow, divulgada pelo Federal Reserve de Atlanta, projeta um crescimento anualizado de 4,3% para o PIB do segundo trimestre.

PIB projetado em 4,3% no 2º trimestre

Se confirmado, o número coloca a atividade norte-americana bem acima da média histórica recente e distancia, por ora, os receios de recessão que circularam no início do ano. Para investidores, um PIB mais forte costuma significar:

  • Maior apetite por risco nos mercados globais;
  • Possível pressão de alta sobre os rendimentos dos Treasuries, que servem de referência para a renda fixa mundial;
  • Impacto indireto no dólar, que tende a se valorizar quando a economia dos EUA acelera.

Lucros corporativos crescem 15%

Kudlow destacou que os resultados das empresas listadas apontam expansão de 15% nos lucros, combustível tradicional para a valorização das ações. Nos Estados Unidos, “os lucros são o leite materno das bolsas”, repetiu o comentarista, citando uma das máximas de Wall Street.

Salários, produtividade e custos sob controle

O mercado de trabalho permanece aquecido, com salários avançando mais de 4% ao ano quando ajustados pela jornada trabalhada. A produtividade, essencial para sustentar ganhos reais, subiu 2,9% em 12 meses, enquanto o unit labor cost – métrica que subtrai produtividade dos salários – aumentou apenas 1,2%.

Inflação de bens básicos segue baixa

Mesmo com o índice de preços ao consumidor (CPI) ainda perto de 4% no acumulado de 12 meses, Kudlow lembrou que a alta nos core goods (bens industriais sem alimentação e energia) foi limitada a 1,1%. O comentarista argumenta que o temor de “tariff-flation”, inflação causada por tarifas comerciais, não se materializou até agora.

Crescimento de 4,3% no PIB dos EUA anima mercado; lucros avançam 15%, diz Larry Kudlow - Imagem do artigo original

Imagem: Larry Kudlow FOXBusiness

Bolsa em máximas históricas

O ambiente de crescimento e lucros fortes levou os principais índices a renovarem recordes. Segundo Kudlow, o Dow Jones “se mantém acima de 50 000 pontos”, patamar que reflete otimismo quanto aos resultados futuros das companhias.

Por que o investidor brasileiro deve acompanhar

Embora o cenário descrito por Kudlow seja focado nos Estados Unidos, ele costuma ter efeitos indiretos sobre o bolso do investidor no Brasil:

  • Dólar: atividade forte e juros potencialmente mais altos nos EUA podem sustentar a moeda americana, influenciando custos de importação e empresas exportadoras listadas no Ibovespa.
  • Selic e renda fixa: um Federal Reserve mais inclinado a manter juros elevados pode limitar cortes adicionais na Selic, afetando retornos de títulos pós-fixados atrelados ao CDI.
  • Bolsa brasileira: fluxos estrangeiros tendem a aumentar quando o humor global melhora, beneficiando ações ligadas a commodities e empresas com receita em dólar.
  • Criptomoedas: maior apetite por risco lá fora pode aumentar a demanda por ativos digitais, mas a correlação costuma ser volátil.

Para o investidor iniciante, entender como os indicadores dos EUA repercutem no Brasil ajuda a interpretar oscilações no câmbio, nos juros futuros e nos principais índices de ações, sem confundir movimentos de curto prazo com tendências estruturais.

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