CDBs indexados ao IPCA se destacam com juro real de 8% e deixam pós-fixados abaixo do CDI em segundo plano

Mariana CostaMariana CostaRenda Fixa2 horas atrás7 Visualizações

Os Certificados de Depósito Bancário (CDBs) viveram um “troca de guarda” em maio. Títulos indexados ao IPCA ofereceram juros reais historicamente altos, chegando a IPCA + 8,5%, e ofuscaram boa parte dos pós-fixados, que em muitos casos pagaram menos que 100% do CDI.

O que mudou em maio

  • CDBs pós-fixados (CDI) com prazos entre 3 e 24 meses tiveram taxa média inferior ao próprio CDI.
  • CDBs indexados à inflação registraram avanço das taxas médias: de IPCA + 7,99% para IPCA + 8,09% em 12 meses e de IPCA + 7,70% para IPCA + 7,93% em 36 meses.
  • Títulos prefixados também subiram: a taxa média de 36 meses passou de 13,73% para 14,06% ao ano.

Por que os pós-fixados decepcionaram

O CDI é a taxa de referência dos empréstimos interbancários e costuma andar muito próximo da Selic. Em cenários de juros elevados, investidores esperam receber pelo menos 100% do CDI em CDBs. No levantamento, porém, a taxa média ficou abaixo disso, com mínimo de 97,5% em alguns prazos.

Para analistas, aceitar rendimento menor que o CDI significa perder eficiência na carteira sem compensação de risco, já que existem alternativas líquidas – como fundos DI ou o Tesouro Selic – pagando o índice cheio.

Inflação em foco: juro real de até IPCA + 8,5%

Os CDBs atrelados ao IPCA foram os grandes vencedores do mês. O mercado recompensou o investidor pelo risco inflacionário de curto prazo – reflexo da alta do petróleo e da revisão das expectativas de inflação.

  • Prazo de 12 meses: taxa média IPCA + 8,09%; máxima IPCA + 8,59%.
  • Prazo de 36 meses: taxa média IPCA + 7,93%; máxima IPCA + 8,45%.

Na prática, um juro real próximo de 8% significa que o ganho do investidor superará a inflação nesse percentual, algo raro em séries históricas brasileiras. Por isso, os especialistas classificam o nível atual como janela atrativa, embora recomendem atenção ao prazo escolhido.

Prefixados voltam ao radar

Os CDBs prefixados também melhoraram o prêmio: a taxa média de 14,06% ao ano em 36 meses chega perto do CDI vigente (em torno de 14,40%) e da Selic (14,50%). Ainda assim, o prefixado só supera o pós-fixado se a Selic cair de forma significativa durante o período, o que transforma a aplicação em aposta na trajetória de juros.

O que observar antes de aplicar

  • Liquidez: CDBs costumam ter prazos de carência. Avalie se poderá permanecer até o vencimento.
  • Garantia do FGC: Aplicações em CDBs são cobertas até R$ 250 mil por CPF e por banco, limite importante para diversificação.
  • Cenário de juros: Selic ainda elevada favorece renda fixa, mas eventuais cortes podem reduzir o ganho de pós-fixados e valorizar prefixados já contratados.
  • Inflação: Em tempos de incerteza, papéis atrelados ao IPCA oferecem proteção automática do poder de compra.
  • Comparação com Tesouro Direto: Use os títulos públicos equivalentes (Tesouro Selic, IPCA+ ou Prefixado) como régua de rendimento e risco.

A expectativa de curto prazo é de estabilidade ou leve compressão das taxas, segundo especialistas. Enquanto o ambiente segue indefinido – com atenção às contas públicas e ao cenário político – o investidor pode priorizar diversificação entre pós-fixados, IPCA+ e prefixados, sempre respeitando objetivos e horizontes de tempo.

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