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Em um mercado ainda regido pela Selic de dois dígitos, o crédito privado volta a chamar atenção de quem busca rendimento superior ao CDI. Entre as alternativas, os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) têm conquistado espaço, ultrapassando a marca de R$ 80 bilhões em patrimônio e com expectativa de romper os R$ 100 bilhões até dezembro. O movimento, porém, exige atenção redobrada, segundo Marcelo Urbano, gestor de crédito privado multiestratégia da XP Asset.
Com a taxa básica ainda elevada, títulos públicos indexados ao CDI e CDBs pagam prêmios confortáveis. Esse ambiente comprime os spreads dos papéis de melhor qualidade (high grade), reduzindo a distância de retorno para emissões de risco maior (high yield). “Quando o spread fecha demais, fica difícil diferenciar. Empresas medianas chegam a pagar cem pontos-base acima de companhias sólidas”, disse Urbano no podcast Outliers.
Nesse contexto, investidores buscam produtos que possam carregar um retorno adicional — e os FIDCs aparecem como opção de diversificação. Diferentemente de debêntures ou CRIs, esses fundos compram carteiras de recebíveis (parcelas a receber de vendas, faturas de cartão, duplicatas, entre outros) e distribuem cotas ao mercado.
Mesmo assim, o gestor reforça que “liquidez é ilusão”. Diferentemente de fundos DI, um FIDC pode demorar semanas — ou meses — para converter carteira em caixa. “Se um multimercado que permite resgate em D+30 passa a ter 25% de FIDCs, vira um problema quando o cotista pede o dinheiro”, alerta.
Apesar do cenário desafiador, Urbano enxerga nichos em que o equilíbrio entre risco e retorno continua atrativo:
Imagem: Reprodução | Trader Iniciante
Com a Selic elevada, é tentador migrar de produtos pós-fixados tradicionais para estruturas que prometem retorno extra. Entender a dinâmica de risco — especialmente a baixa liquidez e a dependência da saúde financeira dos devedores — ajuda a evitar surpresas no caminho. Na prática, FIDCs podem compor portfólios diversificados, mas exigem estudo do regulamento, dos relatórios mensais e, sempre que possível, conversa com o gestor para alinhar expectativas de retorno e volatilidade.
Mesmo dentro de um ciclo de juros altos, o crédito estruturado não é isento de eventos adversos. Caso a economia desacelere ou a inadimplência suba, carteiras mal calibradas podem sofrer. Por isso, a mensagem do especialista resume-se a disciplina: avaliar emissor por emissor, checar garantias e respeitar limites de concentração são passos essenciais para quem escolher navegar nesse segmento.
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