FIDCs ganham espaço com Selic elevada, mas gestor da XP alerta: “Liquidez não é garantida”

Mariana CostaMariana CostaRenda Fixa1 hora atrás8 Visualizações

Em um mercado ainda regido pela Selic de dois dígitos, o crédito privado volta a chamar atenção de quem busca rendimento superior ao CDI. Entre as alternativas, os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) têm conquistado espaço, ultrapassando a marca de R$ 80 bilhões em patrimônio e com expectativa de romper os R$ 100 bilhões até dezembro. O movimento, porém, exige atenção redobrada, segundo Marcelo Urbano, gestor de crédito privado multiestratégia da XP Asset.

Juros altos mudam o jogo do crédito

Com a taxa básica ainda elevada, títulos públicos indexados ao CDI e CDBs pagam prêmios confortáveis. Esse ambiente comprime os spreads dos papéis de melhor qualidade (high grade), reduzindo a distância de retorno para emissões de risco maior (high yield). “Quando o spread fecha demais, fica difícil diferenciar. Empresas medianas chegam a pagar cem pontos-base acima de companhias sólidas”, disse Urbano no podcast Outliers.

Nesse contexto, investidores buscam produtos que possam carregar um retorno adicional — e os FIDCs aparecem como opção de diversificação. Diferentemente de debêntures ou CRIs, esses fundos compram carteiras de recebíveis (parcelas a receber de vendas, faturas de cartão, duplicatas, entre outros) e distribuem cotas ao mercado.

FIDCs: onde está o atrativo

  • Rendimento: por lidarem com crédito originado fora do sistema bancário, costumam oferecer taxas acima do CDI.
  • Estrutura: os recebíveis podem ter garantias reais ou subordinação (cotas júnior que absorvem primeiras perdas).
  • Personalização: fundos podem ser montados sob medida para um único originador, criando esteiras recorrentes de captação.

Mesmo assim, o gestor reforça que “liquidez é ilusão”. Diferentemente de fundos DI, um FIDC pode demorar semanas — ou meses — para converter carteira em caixa. “Se um multimercado que permite resgate em D+30 passa a ter 25% de FIDCs, vira um problema quando o cotista pede o dinheiro”, alerta.

Riscos que o investidor tende a subestimar

  • Prazo de recebimento: carteiras de crédito consignado privado levam de três a quatro meses para mostrar inadimplência real; indicadores iniciais podem mascarar risco.
  • Garantias: mesmo imóveis dados em garantia podem enfrentar questões judiciais ou ocupação irregular, atrasando recuperação.
  • Concentração: crescer rápido pode levar a afrouxar critérios de originação, aumentando exposição a tomadores frágeis.

Três frentes que ainda pagam prêmio

Apesar do cenário desafiador, Urbano enxerga nichos em que o equilíbrio entre risco e retorno continua atrativo:

FIDCs ganham espaço com Selic elevada, mas gestor da XP alerta: “Liquidez não é garantida” - Imagem do artigo original

Imagem: Reprodução | Trader Iniciante

  • Infraestrutura de armazenamento de energia: empresas instalam baterias para estabilizar redes e oferecem recebíveis com garantias contratuais.
  • Fretamento marítimo para óleo e gás: a Petrobras figura como contraparte, e as diárias estão próximas de máximas históricas.
  • Recebíveis pulverizados: diversificação por milhares de pequenos créditos permite mensurar perdas por “safra” e suavizar impactos pontuais.

O que observar antes de aplicar

  • Fluxo de caixa do originador: é a principal fonte de pagamento das cotas sênior.
  • Tamanho da cota subordinada: indica o colchão que protege as cotas mais seguras, mas não dispensa análise qualitativa.
  • Prazo de resgate do fundo: deve ser compatível com a duração dos créditos na carteira.
  • Política de provisionamento (PDD): cuidado com números que pareçam “bons demais” nos primeiros meses.

Por que isso importa para o investidor iniciante

Com a Selic elevada, é tentador migrar de produtos pós-fixados tradicionais para estruturas que prometem retorno extra. Entender a dinâmica de risco — especialmente a baixa liquidez e a dependência da saúde financeira dos devedores — ajuda a evitar surpresas no caminho. Na prática, FIDCs podem compor portfólios diversificados, mas exigem estudo do regulamento, dos relatórios mensais e, sempre que possível, conversa com o gestor para alinhar expectativas de retorno e volatilidade.

Mesmo dentro de um ciclo de juros altos, o crédito estruturado não é isento de eventos adversos. Caso a economia desacelere ou a inadimplência suba, carteiras mal calibradas podem sofrer. Por isso, a mensagem do especialista resume-se a disciplina: avaliar emissor por emissor, checar garantias e respeitar limites de concentração são passos essenciais para quem escolher navegar nesse segmento.

Ferramentas úteis para investidores

Use as ferramentas gratuitas do Trader Iniciante para simular investimentos, acompanhar o Tesouro Direto e consultar resultados atualizados.

0 Votes: 0 Upvotes, 0 Downvotes (0 Points)

Deixe um Comentário

Comentários Recentes

Trader Iniciante é um participante do Programa de Associados da Amazon.

Pesquisar tendência
Redação
carregamento

Entrar em 3 segundos...

Inscrever-se 3 segundos...