O token SOL, nativo da rede Solana, valorizou 14% desde a mínima de US$ 64 registrada na quinta-feira e voltou ao patamar de US$ 72 nesta sexta-feira. O movimento foi alimentado pelo avanço das negociações de ações tokenizadas dentro do ecossistema, que somaram US$ 113 milhões em 24 horas. Apesar do salto de preço, alguns indicadores de blockchain sugerem que o momento pode ser frágil.
O que está por trás da alta
- Ações tokenizadas: papéis de empresas listadas, convertidos em tokens que replicam o preço do ativo real, ganharam tração na Solana. O setor de inteligência artificial liderou o interesse.
- Expectativa de airdrops: projetos promissores como OnRe, Bulk e Loopscale atraem investidores que buscam receber novos tokens gratuitos, fenômeno comum em redes de alta atividade.
- Alavancagem moderada: a taxa de funding dos futuros perpétuos de SOL subiu para 10% ao ano, indicando procura por posições compradas, mas ainda dentro de um intervalo considerado neutro (6%–12%).
Sinais de enfraquecimento on-chain
- Queda no TVL: o Total Value Locked da rede recuou 11% no mês. Plataformas conhecidas, como Kamino e Raydium, encolheram perto de 20%.
- Volume em DEX em baixa: as decentralized exchanges da Solana negociam hoje cerca de US$ 10 bilhões por semana, um terço do registrado em fevereiro.
- Dependência de memecoins: 30% da receita de aplicativos descende da Pump.fun, voltada a lançamentos de memecoins — um mercado volátil que costuma perder fôlego rápido.
- Concorrência acirrada: redes como Base (Ethereum L2) reduzem a diferença de TVL, enquanto a plataforma Hyperliquid e corretoras centralizadas lançam produtos de tokenização semelhantes.
Por que isso importa para o investidor brasileiro
Para quem diversifica em cripto, Solana costuma ser vista como alternativa à Ethereum por taxas mais baixas e velocidade. No entanto, o recuo do TVL e dos volumes evidencia que parte da recente valorização pode ter caráter especulativo — algo comum em ciclos de hype de novas narrativas, como memecoins ou ações tokenizadas.
Além disso, movimentos bruscos em SOL podem afetar ETFs, fundos de criptomoedas e carteiras que incluem o ativo como exposição a plataformas de smart contracts. O investidor iniciante deve, portanto, acompanhar:
Imagem: Reprodução | Trader Iniciante
- a evolução dos volumes em DEX, que mostram uso real da rede;
- a saúde de projetos que sustentam o TVL, como protocolos de empréstimo e staking;
- a correlação de SOL com outras criptos de primeira linha, já que mudanças no apetite a risco global — influenciadas por juros, inflação e dólar — costumam repercutir no mercado.
Riscos no radar
- Liquidez limitada: pools de ações tokenizadas ainda têm poucos provedores, o que pode ampliar a volatilidade.
- Regulação: instrumentos que replicam ações negociadas em bolsas tradicionais podem atrair escrutínio de reguladores, sobretudo nos EUA.
- Concentração em poucos aplicativos: a dependência de Pump.fun e de memecoins adiciona risco se o interesse por esses tokens cair.
Em resumo, embora o retorno de SOL a US$ 72 mostre força de curto prazo, a queda no TVL e nos volumes em DEX sugere que a sustentabilidade desse rali depende da adoção contínua de aplicativos que gerem demanda genuína pela blockchain.