Solana reage a US$ 72 com boom de ações tokenizadas, mas sinais on-chain esfriam o entusiasmo

Lucas FerreiraLucas FerreiraCriptomoedas3 horas atrás18 Visualizações

O token SOL, nativo da rede Solana, valorizou 14% desde a mínima de US$ 64 registrada na quinta-feira e voltou ao patamar de US$ 72 nesta sexta-feira. O movimento foi alimentado pelo avanço das negociações de ações tokenizadas dentro do ecossistema, que somaram US$ 113 milhões em 24 horas. Apesar do salto de preço, alguns indicadores de blockchain sugerem que o momento pode ser frágil.

O que está por trás da alta

  • Ações tokenizadas: papéis de empresas listadas, convertidos em tokens que replicam o preço do ativo real, ganharam tração na Solana. O setor de inteligência artificial liderou o interesse.
  • Expectativa de airdrops: projetos promissores como OnRe, Bulk e Loopscale atraem investidores que buscam receber novos tokens gratuitos, fenômeno comum em redes de alta atividade.
  • Alavancagem moderada: a taxa de funding dos futuros perpétuos de SOL subiu para 10% ao ano, indicando procura por posições compradas, mas ainda dentro de um intervalo considerado neutro (6%–12%).

Sinais de enfraquecimento on-chain

  • Queda no TVL: o Total Value Locked da rede recuou 11% no mês. Plataformas conhecidas, como Kamino e Raydium, encolheram perto de 20%.
  • Volume em DEX em baixa: as decentralized exchanges da Solana negociam hoje cerca de US$ 10 bilhões por semana, um terço do registrado em fevereiro.
  • Dependência de memecoins: 30% da receita de aplicativos descende da Pump.fun, voltada a lançamentos de memecoins — um mercado volátil que costuma perder fôlego rápido.
  • Concorrência acirrada: redes como Base (Ethereum L2) reduzem a diferença de TVL, enquanto a plataforma Hyperliquid e corretoras centralizadas lançam produtos de tokenização semelhantes.

Por que isso importa para o investidor brasileiro

Para quem diversifica em cripto, Solana costuma ser vista como alternativa à Ethereum por taxas mais baixas e velocidade. No entanto, o recuo do TVL e dos volumes evidencia que parte da recente valorização pode ter caráter especulativo — algo comum em ciclos de hype de novas narrativas, como memecoins ou ações tokenizadas.

Além disso, movimentos bruscos em SOL podem afetar ETFs, fundos de criptomoedas e carteiras que incluem o ativo como exposição a plataformas de smart contracts. O investidor iniciante deve, portanto, acompanhar:

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Imagem: Reprodução | Trader Iniciante

  • a evolução dos volumes em DEX, que mostram uso real da rede;
  • a saúde de projetos que sustentam o TVL, como protocolos de empréstimo e staking;
  • a correlação de SOL com outras criptos de primeira linha, já que mudanças no apetite a risco global — influenciadas por juros, inflação e dólar — costumam repercutir no mercado.

Riscos no radar

  • Liquidez limitada: pools de ações tokenizadas ainda têm poucos provedores, o que pode ampliar a volatilidade.
  • Regulação: instrumentos que replicam ações negociadas em bolsas tradicionais podem atrair escrutínio de reguladores, sobretudo nos EUA.
  • Concentração em poucos aplicativos: a dependência de Pump.fun e de memecoins adiciona risco se o interesse por esses tokens cair.

Em resumo, embora o retorno de SOL a US$ 72 mostre força de curto prazo, a queda no TVL e nos volumes em DEX sugere que a sustentabilidade desse rali depende da adoção contínua de aplicativos que gerem demanda genuína pela blockchain.

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