Grupo Trigo aposta em novos formatos e vê virada da Casa do Pão de Queijo só no fim de 2026

Ricardo AlmeidaRicardo AlmeidaMercado Financeiro8 minutos atrás30 Visualizações

O Grupo Trigo, dono de marcas como Spoleto, Koni e Gendai, projeta colher os primeiros frutos da compra da Casa do Pão de Queijo apenas no fim de 2026, um ano após concluir a aquisição da rede de cafeterias.

O que muda com a nova gestão

A aposta inicial é simples: reformular o produto-chave. Quatro unidades já testam uma nova receita de pão de queijo, enquanto um modelo de carrinho combina o quitute mineiro ao açaí da marca Asa, também do portfólio. Para o diretor de novos negócios, Michel Jager, a marca carrega forte apelo emocional, mas perdeu fôlego por decisões de gestão e pela pandemia.

Juros altos pressionam, tíquete de entrada cai

O movimento de redução de custo para novos franqueados não ocorre por acaso. Em um ambiente de juros elevados e endividamento das famílias, acesso a crédito ficou mais caro. Para atrair investidores de pequeno e médio porte, o Trigo criou versões enxutas:

  • Spoleto Piccolo: investimento inicial de R$ 350 mil, contra R$ 600 mil do formato tradicional;
  • Carrinho Casa do Pão de Queijo: cerca de R$ 150 mil.

Formatos compactos exigem menos capital, cabem em espaços menores e reduzem custos fixos, estratégia comum em ciclos de aperto monetário quando a Selic permanece alta por mais tempo.

Recuperação judicial: o que significa para a rede

A antiga controladora, CPQ Brasil, está em recuperação judicial desde junho de 2024. Na prática, isso permite renegociar dívidas com credores sob supervisão do Judiciário, evitando a falência imediata. O passivo, no entanto, continua fora do balanço do Grupo Trigo, que comprou apenas a operação da franquia.

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Imagem: Reprodução | Trader Iniciante

Expansão internacional ainda é teste

O grupo também mira fora do país. Nos Estados Unidos, adquiriu as marcas Deep Purpl (açaí) e Lizzano (focaccia) e mantém uma loja-piloto do Spoleto na Flórida. Segundo Jager, a presença é “exploratória”, mas pode avançar caso o mercado responda bem.

O que observar como investidor

  • Setor de alimentação fora do lar: sensível ao poder de compra. Inflação de alimentos e renda disponível ditam o ritmo de vendas.
  • Estratégia de franquias: modelos mais baratos podem acelerar a expansão, mas margens dependem de escala e gestão de insumos.
  • Ambiente macro: Selic elevada encarece crédito e afeta tanto franqueados quanto consumidores.
  • Diversificação: presença nos EUA e novas marcas reduzem exposição a um único mercado, mas adicionam riscos cambiais.

Para quem acompanha o setor de food service, a virada da Casa do Pão de Queijo servirá como termômetro do apetite do consumidor em meio ao juro alto e da capacidade das redes de reinventar formatos sem comprometer qualidade.

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