Ibovespa avança com aposta em cortes na Selic após queda da produção industrial; dólar recua

Ricardo AlmeidaRicardo AlmeidaMercado Financeiro5 horas atrás8 Visualizações

O pregão desta sexta-feira (3) foi de liquidez reduzida na B3, já que as bolsas norte-americanas permaneceram fechadas pelo feriado da Independência dos EUA. Mesmo assim, o Ibovespa avançou 0,74%, encerrando aos 174.070 pontos, enquanto o dólar à vista caiu 0,75%, para R$ 5,17. No centro das atenções esteve a queda de 0,2% na produção industrial de maio, número que contrariou as expectativas e alimentou a interpretação de que há espaço para novos cortes na taxa Selic.

Por que a produção industrial mexeu com o mercado?

A pesquisa do IBGE mostrou retração nos segmentos ligados a derivados de petróleo e ao setor extrativo. Embora pontual, o resultado veio depois de quatro altas mensais seguidas e sinalizou perda de ritmo da atividade.

  • Juros futuros – A leitura de atividade mais fraca reduziu as taxas nos contratos negociados na B3. Quando o mercado antecipa Selic mais baixa, o custo de captação das empresas cai, estimulando a compra de ações.
  • Moeda – A expectativa de juros menores também pressiona o dólar para baixo, já que diminui o prêmio para quem traz recursos ao Brasil.

Para o investidor iniciante, vale lembrar: juros mais baixos costumam favorecer renda variável, mas reduzem a remuneração de aplicações atreladas ao CDI.

Tensão comercial Brasil-EUA permanece no radar

Ainda que a agenda americana estivesse parada, as recentes tensões comerciais entre os dois países continuam no pano de fundo e elevam a percepção de risco. Esse fator ajuda a explicar a cautela nos negócios e limita movimentos mais fortes do Ibovespa.

Como ficaram as principais ações

  • Ultrapar (UGPA3) liderou as altas, com ganho de quase 5%.
  • Isa Energia (ISAE4) caiu 4% após anunciar possível follow-on de R$ 650 milhões, que pode diluir participação dos atuais acionistas.
  • No total, apenas 9 das 78 ações do índice fecharam em queda, mostrando avanço relativamente amplo.

Ouro segue em alta

Nos mercados internacionais de commodities, os contratos futuros de ouro subiram 1,4%, para US$ 4.178,50 a onça-troy. O metal costuma se valorizar quando há incerteza econômica ou expectativa de juros mais baixos, pois oferece proteção contra perdas de poder de compra.

O que observar daqui para frente

  • Próximas leituras de atividade e inflação deverão balizar a trajetória da Selic e, por consequência, dos juros futuros.
  • Qualquer evolução nas negociações comerciais Brasil-EUA pode influenciar o humor do mercado e a cotação do dólar.
  • Para quem investe, diversificar entre renda fixa e variável continua sendo a principal forma de lidar com oscilações de curto prazo.

Com feriado nos EUA deixando o volume enxuto, a sessão reforçou a mensagem de que indicadores domésticos seguem no comando dos preços — especialmente aqueles capazes de alterar as apostas para a política monetária brasileira.

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