Venda de tecnológicas nos EUA freia Bitcoin, que volta a teste de resistência em US$ 64,5 mil

Lucas FerreiraLucas FerreiraCriptomoedas10 horas atrás23 Visualizações

O alívio inicial trazido pelos últimos números de inflação nos Estados Unidos durou pouco para os mercados de risco. Depois de tocar a máxima de três semanas, o Bitcoin (BTC) recuou cerca de 1,5% e passou a ser negociado em torno de US$ 64.500, acompanhando a virada negativa das bolsas americanas.

Inflação menor animou, mas realização tomou conta

Na terça e na quarta-feira, os índices de preços ao consumidor (CPI) e ao produtor (PPI) de junho vieram abaixo do esperado, reforçando a leitura de que a pressão inflacionária nos EUA segue arrefecendo. A notícia trouxe fôlego para ações e criptoativos, pois fortalece a tese de cortes de juros pelo Federal Reserve ainda em 2026.

No entanto, a quinta-feira foi marcada por uma onda de vendas, sobretudo no setor de tecnologia, que devolveu parte dos ganhos recentes. A virada atingiu as criptomoedas, historicamente sensíveis ao apetite por risco de Wall Street.

Micron é o símbolo da correção tech

Entre as blue chips de tecnologia, o maior tombo veio da Micron Technology, que despencou 15% no pregão e já acumula queda de mais de 30% desde a máxima histórica de 22 de junho. O movimento foi acompanhado por realizações em outras favoritas do varejo, como Tesla e Apple, que somaram US$ 200 milhões em vendas nas últimas duas semanas, segundo a Kobeissi Letter.

O volume de giro do investidor pessoa física em ações individuais também chamou atenção: chegou a US$ 370 bilhões, novo recorde anual e bem acima dos US$ 220 bilhões registrados no início de 2026. Esse fluxo indica que parte do público está protegendo lucros após um rali histórico das big techs – dinâmica que respinga em ativos mais voláteis, como o BTC.

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Imagem: Reprodução | Trader Iniciante

Resistências técnicas entram em cena

No gráfico, operadores destacam dois níveis que podem travar uma recuperação mais robusta do Bitcoin:

  • AVWAP ancorado na máxima de US$ 82 mil – métrica que pondera preço e volume desde o topo de maio; costuma funcionar como barreira psicológica de oferta.
  • Média móvel exponencial de 50 meses a US$ 65,9 mil – já serviu de teto em ciclos anteriores e, de acordo com analistas, começa a provocar rejeição de preço.

Embora não exista consenso sobre a trajetória até o fim do ano, parte dos especialistas relembra o comportamento de 2022, quando o mercado encontrou o fundo só meses depois dos primeiros sinais de fraqueza.

O que acompanhar agora

  • Política monetária dos EUA: novos indicadores de preços e falas de dirigentes do Fed podem redefinir as expectativas de corte de juros, fator decisivo para ativos de risco.
  • Dólar e Selic: para o investidor brasileiro, a combinação entre taxa básica doméstica e câmbio segue determinante na escolha entre renda fixa, Bolsa local e cripto.
  • Fluxo de varejo: o volume recorde de negociação do investidor pessoa física nos EUA mostra apetite, mas também aumenta a chance de movimentos bruscos quando a realização de lucros se intensifica.

Para quem acompanha o Bitcoin, a atenção recai sobre a capacidade ou não de o preço superar de forma sustentada a região de US$ 65 mil. Caso as resistências se confirmem, a criptomoeda pode continuar presa a oscilações de curto prazo até que o cenário macro traga uma direção mais clara.

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